Despejado da estrada, MST invade fazenda em Araçatuba

Cerca de 300 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) invadiram na madrugada desta sexta-feira, 23, a fazenda Aracanguá, em Araçatuba. Elas afirmam que só deixarão a área depois que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) explicar por que está demorando a fechar o acordo com os proprietários da fazenda para desapropriação da área.Com 4.353 mil hectares, a fazenda Aracanguá pertence à Agropecuária CFM, do grupo Vestey, de origem inglesa, que desenvolve atividades variadas de pecuária de corte e agricultura em 11 fazendas no Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia e São Paulo. A Agropecuária é conhecida nacionalmente pela tecnologia de ponta empregada na produção de touros Nelore. Em 2005, o grupo produziu 1,8 milhão de toneladas de cana-de-açúcar. Na fazenda Aracanguá moram três famílias de caseiros. A propriedade é tomada por plantação de cana-de-açúcar e pasto para pecuária de corte.Era 0h30 desta sexta quando os primeiros militantes do MST chegaram em caminhões, cortaram a cerca e entraram na propriedade. Por volta do meio-dia já tinham terminado de montar dezenas de barracos. Eles disseram que a responsabilidade da ocupação é da Prefeitura de Araçatuba que pediu o despejo das famílias de uma estrada vicinal onde estavam acampadas."Ficamos nessa estrada por dois anos e nunca houve qualquer incidente. A Prefeitura pediu, e a Justiça concordou em nos despejar. Como não tínhamos para onde ir, e o Incra demora para resolver a questão dessa área, decidimos entrar", explicou um líder do grupo, que não quis ser identificado.Segundo ele, além da fazenda Aracanguá, outras duas fazendas na região, a Araçá e a Floresta, vão sofrer assédio dos sem-terra, a primeira em discussão na Justiça e a segunda, também em processo de acordo entre fazendeiros e Incra. "Não podemos mais esperar essa enrolação do Incra e da Justiça Federal, que emperram a reforma agrária na região", afirmou.Nesta sexta-feira, nenhum representante da CFM foi encontrado para comentar a invasão. Na sede da empresa, em São José do Rio Preto, a secretária disse que o responsável não estava.

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