Desocupação de fazendas no MS deve começar amanhã

Está marcado para começar amanhã a desocupação de onze das 14 fazendas invadidas entre as cidades de Iguatemi e Itaporã no extremo sul de Mato Grosso do Sul, divisa com o Paraguai, por índios da nação guarani-kaiowás. As invasões começaram dia 22 de dezembro último e terminaram no final do mês passado, quando os invasores conseguiram ocupar uma área de 9.400 hectares, que consideram terras de seus antepassado, e alegam terem direito de tomar posse dos imóveis.A questão deverá ser decidida hoje na Terceira Região da Justiça Federal, sediada em São Paulo, conforme acreditam os advogados dos fazendeiros que têm suas áreas invadidas pelos índios. Entretanto, o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Mércio Pereira Gomes, firmou acordo com os líderes das invasões durante a última sexta-feira, para que os kaiowás desocupam onze fazendas e fiquem concentrados nas outras três, até que a Justiça decida o conflito.Mércio, na ocasião, garantiu aos caciques que a demarcação das áreas reivindicadas será realizada o mais rápido possível. Foi uma "aty guassú" (grande reunião em tupi-guarani), conforme disseram os caciques, porém ainda não existe a palavra final dos fazendeiros, que resistem em deixar as três fazendas para os índios. Eles não participaram do encontrou de Mércio com os líderes indígenas, realizado na Aldeia Jaguapiré, em Tacuru, a 30 quilômetros da zona de conflito. O produtores rurais, de posse dos títulos legais das áreas ocupadas pelos gurani-kaiowás, estão aguardando a decisão judicial.Deverá ser apreciado nesta segunda-feira o Agravo Regimental pedindo a desocupação total das 14 fazendas invadidas. O advogado Osmar Silva, que defende os fazendeiros, quer a revisão da decisão da desembargadora Consuelo Yoshida, que suspendeu até o próximo dia 10 o mandado de reintegração de posse, concedido aos fazendeiros. A expectativa é sobre se a desembargadora decidirá definitivamente sobre o conflito, ou devolverá a causa para o juiz federal em Mato Grosso do Sul, Odilon Oliveira, que concedeu liminar aos produtores rurais, autorizando o despejo.Caso saiam vencedores da demanda, uma outra ação será ajuizada solicitando indenização pelos prejuízos causados pelos índios em todos os imóveis que invadiram. O produtores iniciaram na semana passada, o levantamento de tudo que estão perdendo, principalmente no que se refere a depredação das sedes e casas de empregados, que foram destruídas e tiveram telhado, móveis, portas e janelas levadas pelos invasores.Tragédia - O objetivo dos índios, é anexar mais 7.800 hectares à Aldeia Porto Lindo, situada em Japorã, aumentando-a dos atuais 1.600 hectares, para 9.400. Desde o final da tarde de sábado os habitantes da mesma aldeia, amargam a tragédia ocorrida no local. O índio Valdemir Tapere, jogou o filho, de 2 anos de idade, em um poço profundo. A criança foi retirada morta. A Polícia Militar colheu informações na aldeia dando conta de que Tapere havia tido séria discussão com a mulher, mãe da pequena vitima.Veja a galeria de fotos

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