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Desnorteados

Enquanto o PSB corre para apaziguar divergências internas e vencer resistências externas ao nome de Marina Silva, o PT e o PSDB andam com cuidado, sabendo que pisam em terreno minado: a concorrência de uma candidatura que mexe com o emocional do eleitorado.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2014 | 02h02

É sobre o sonho de muita gente de eleger um governante do "bem" que Dilma Rousseff e Aécio Neves terão de caminhar nos próximos 40 dias.

Período difícil e completamente imprevisível, dizem os números captados diariamente pelas campanhas por meio de consultas telefônicas que não têm o rigor científico das pesquisas, mas registram tendências de crescimento de Marina em relação ao último Datafolha, onde ela aparecia com 21%.

Na ocasião a ex-senadora ainda não havia sido confirmada como candidata do PSB nem chegado ao auge da exposição no noticiário, o que se deu ao longo da semana a partir do domingo, data do enterro de Eduardo Campos.

Embora em público simulem tranquilidade, os adversários temem Marina. Um perigo cuja dimensão exata eles ainda preferem esperar de uma semana a dez dias para medir. Desde já, no entanto, têm consciência de que uma coisa são os desacertos políticos das alianças partidárias e outra bem diferente as demandas do eleitorado.

Marina é uma figura vista como mítica. Transita numa espécie de altar acima do bem e do mal e fazê-la descer dele será uma tarefa espinhosa. Neste aspecto, PT e PSDB criaram uma rara zona de convergência de interesse: os tucanos querem estar no segundo turno e os petistas querem que eles estejam porque acham mais fácil derrotá-los.

A ordem na campanha de Aécio Neves é não atacá-la para não transformá-la em vítima e preservar o voto do eleitorado dela para eventual segundo turno. Os tucanos esperam que o PT faça esse serviço. Mas os petistas também têm dificuldade de travar esse combate candidata a candidata. O mais provável é que o façam por intermédio da tropa virtual que atua na internet.

O PSB acredita que o "chumbo" - não identifica a natureza - sairá do PT e que o PSDB atuará na linha da desqualificação administrativa.

Quando, como e se conseguirão transferi-la do imaginário para o lado racional do eleitor sem dar tiros nos próprios pés é o desafio a ser vencido.

Missão Renata. A retirada barulhenta de Carlos Siqueira da campanha de Marina Silva deflagrou no PSB uma operação de emergência para a redução de danos. Homem da estrita confiança de Eduardo Campos, de total influência no partido do qual é secretário-geral, Siqueira também desfruta da intimidade da família Campos.

Renata, a viúva de Eduardo, foi acionada para convencer Siqueira a não se afastar do partido para não desmobilizar a militância e se dedicar às campanhas dos governadores, senadores e deputados. Se possível, sem hostilizar Marina.

Labirinto. Muito difícil entender a lógica da presidente Dilma Rousseff. Ela considera natural que o governo exerça pressão sobre o Tribunal de Contas da União para evitar que os bens da presidente da Petrobrás, Graça Foster, sejam bloqueados. Semana passada, porém, recusou-se a comentar a posição do PT sobre o julgamento do mensalão alegando que como presidente não pode se imiscuir em decisão de outro Poder.

Dilma acha injusto que se investigue com rigor a compra da refinaria de Pasadena, mas não se faça o mesmo com dois casos ocorridos da empresa durante o governo Fernando Henrique: o afundamento da Plataforma P-36 e a troca de ativos com a Repsol. Não explica, contudo, por que os governos do PT não tomaram a iniciativa de pedir investigação.

A presidente lamenta o uso da Petrobrás como arma política, enquanto seu partido faz da empresa há três eleições uma de suas principais armas políticas.

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