Desmate pode causar novas pandemias, diz Carlos Nobre

Ganhador do Nobel de 2007 com equipe do Inpe, cientista foi um dos convidados do painel de hoje do 'Brazil Forum UK'

Fernanda Boldrin, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2020 | 16h54
Atualizado 19 de junho de 2020 | 22h04

No painel sobre governança ambiental na Amazônia, realizado nesta sexta-feira, 19, no Brazil Forum UK, o cientista e ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2007 Carlos Nobre disse que se o desmatamento continuar nos ritmos de hoje, o mundo terá que conviver com uma pandemia como a da covid-19 a cada dois meses. 

​“Se nós continuarmos a perturbar os ecossistemas naturais de todo o mundo, especialmente os tropicais, vamos gerar uma pandemia a cada dois meses”, afirmou o cientista. Segundo ele, pesquisas de opinião dos últimos 25 anos mostram que mais de 90% dos brasileiros são contra o desmatamento da Amazônia. Logo, diz Nobre, as taxas de desmate crescentes são “prova concreta de que o que ocorre de fato na Amazônia não tem nenhuma relação com a vontade do povo brasileiro”. 

 

Além do cientista, também participaram do debate o governador do Pará Helder Barbalho (MDB), Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental, e Simone Karipuna, uma das coordenadoras da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e norte do Pará (APOIANP). A moderação foi feita por Julia Bussab, mestranda em Meio Ambiente e Desenvolvimento na London School of Economics. 

Simone criticou a atuação do governo brasileiro na proteção dos povos indígenas. “Nós (indígenas) somos capazes de fazer a governança ambiental do nosso território. O que a gente percebe é que não há interesse por parte do governo brasileiro em querer justamente fazer essa coisa compartilhada com os povos indígenas”, disse. 

Na mesma linha, Adriana defendeu a participação social na estruturação de políticas sobre o tema, e apontou que o acesso à informação ambiental é fundamental para a tomada de decisões conjuntas.

Na próxima segunda-feira, o painel Ciência em Crise propõe ampliar o debate sobre o papel da ciência no desenvolvimento do País, a aproximação da academia e da sociedade e o futuro da produção científica brasileira. O Brazil Forum UK é organizado por estudantes brasileiros em Londres e tem transmissão do Estadão

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