Desmame precoce dos bebês prejudica

Só 20% dos bebês paulistas são alimentados exclusivamente com leite materno até o quarto mês de vida. Falta de informação ainda é o principal fator que contribui para o desmame precoce dos bebês. Esta é a Semana Nacional de Aleitamento Materno. Em todo o País, hospitais e maternidades aproveitam a data para incentivar a amamentação.Até o ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendava que o aleitamento materno fosse exclusivo até pelo menos os quatro meses. A recomendação mudou: passou para seis meses. Durante esse período, o bebê não deve receber nem água ou chá.Alimento completo para o bebêA explicação é simples: tudo o que ele precisa está no leite da mãe. Além de servir como alimento, o leite materno protege o bebê contra doenças e reforça o vínculo entre mãe e filho."A cada mamada, a primeira porção de leite que sai do seio da mãe é mais transparente", explica o pediatra Hamilton Henrique Robledo, do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo. "É justamente essa fração que mata a sede do bebê." Mas ao ver essa porção rala, muitas mulheres acreditam ter leite fraco. "É um mito. Todo leite materno é bom."Noções falsasPara aumentar a adesão das futuras mamães ao aleitamento materno, Robledo defende ser preciso intervir nas crenças que são falsas. Elas vão desde a suspensão do aleitamento materno por causa das fezes liquefeitas do bebê até a preocupação com a estética dos seios. "E isso se faz com a gestante, durante o pré-natal."Ainda na gravidez, a mulher deve também ser orientada a preparar o mamilo para a amamentação. Robledo recomenda banhos de sol no começo da manhã, durante 15 ou 30 minutos. O atrito do mamilo com a roupa ajuda a torná-lo mais resistente. Para isso, Robledo orienta que a mulher faça furos no sutiã, deixando o mamilo exposto.Massagens com a toalha também ajudam. "Não se deve usar creme hidratante no mamilo." Pesquisas mostram que quanto maior o grau de escolaridade e a renda da mãe, mais tempo o bebê mama no peito. Em compensação, a duração do aleitamento materno exclusivo é menor em grandes cidades do que na zona rural.Evolução positivaSegundo o secretário de Estado da Saúde, José da Silva Guedes, a média de 20% de aleitamento materno ainda é baixa. "Mas houve evolução desde os anos 70, quando quase nenhum bebê mamava no peito", completa Guedes. Nos anos 80, segundo dados do Ministério da Saúde, o aleitamento materno exclusivo até os quatro meses atingia 4% dos bebês de todo o País. No final da década de 90, esse número pulou para 40%.Na capital paulista, dado da secretaria estadual referente a 1999, mostra que 25% dos bebês de até quatro meses eram alimentados exclusivamente com o leite materno. Em Santos, a porcentagem é de 45%.Bancos de leiteBebês que nascem prematuros ou doentes não têm força suficiente para mamar no peito. Além disso, por causa da condição frágil, precisam ficar internados. Mas bancos de leite humano garantem que esses pequenos bebês sejam alimentados com leite materno.O modelo também garante o aleitamento de recém-nascidos, cujas mães estão doentes ou tomando medicamentos que contra-indicam a amamentação. Desde 1998, o País mantém uma rede de bancos de leite humano com 164 centros. São Paulo é o Estado com a maior rede: 26 espalhados pelo interior e 20 na Grande São Paulo."No ano passado, quase 16 mil bebês prematuros foram beneficiados em todo o Estado", diz Maria José Guardia Mattar, coordenadora da rede estadual de bancos de leite de São Paulo. Além de armazenar leite humano, os bancos incentivam a gestante a amamentar seu bebê.

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