Designados promotores para investigar a UNE

O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, José Muiños Piñeiro Filho, indicou hoje três promotores para investigar a denúncia de suposto desvio de R$ 600 mil da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da expedição de uma falsa carteira de estudante em nome de Fernando Dutra Pinto, seqüestrador de Patrícia Abravanel, filha do empresário e apresentador Silvio Santos. A denúncia contra a UNE foi apresentada pelo estudante de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), Pedro Trengrouse Laigner de Souza.Segundo Piñeiro, o caso não poderá ser conduzido pelo promotor Romero Lyra, que entregou a petição com a denúncia à Central de Inquéritos do Ministério Público da capital. Lyra foi professor de Souza na PUC. "Ele simplesmente não pode investigar porque não é de sua área de atribuição. O doutor Lyra atua em Jacarepaguá (zona oeste), e não no Catete (zona sul), onde juridicamente fica a sede da UNE no Rio", explicou o procurador-geral, que hoje à tarde recebeu em seu gabinete o presidente da entidade estudantil, Felipe Maia.Maia havia pedido a audiência com Piñeiro para prestar esclarecimentos e pedir rapidez nas investigações. O líder estudantil entregou ao procurador cópias da movimentação bancária da UNE durante os meses de junho e julho, e do requerimento do documento feito para ?Fernando Dutra Pinto? pelo serviço de emissão de carteiras mantido pela entidade em seu endereço na Internet. No documento, o e-mail do remetente - mp@mp.gov.br -, é o endereço do Ministério Público, assim como o telefone de contato. "É claro que durante a apuração vamos verificar as responsabilidades do MP neste caso", afirmou Piñeiro.O procurador esclareceu que os três promotores do caso não foram designados por ele, mas escolhidos por suas atribuições legais. A investigações sobre improbidade serão conduzidas por um dos quatro titulares da Promotoria da Cidadania, enquanto que a fraude da carteira ficará a cargo da promotora Lilian Porto, que atua na Delegacia de Defraudações.A prestação de contas da UNE e suposto crime de malversação criminosa com dinheiro da entidade serão analisados pela promotora Renata Cabo, que trabalha nos inquéritos abertos na área da 9ª DP, no Catete, bairro onde está localizada a sede da entidade estudantil. "Na realidade, acredito que esses três promotores vão atuar em conjunto, para evitar uma maior burocracia", explicou o procurador-geral. As investigações começam na próxima semana e o presidente da UNE deve ser um dos primeiros a depor.

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