Desespero tomou conta de técnicos da P-7

"Eu pensei que ninguém fosse sair vivo dali". A frase do técnico Luiz Góis, de 33 anos, resume o medo que tomou conta dos trabalhadores na hora do vazamento de óleo da plataforma P-7. Às 4h45, Góis trabalhava com nove pessoas perto do local do vazamento de óleo e gás. Segundo o técnico, quando o vazamento começou, houve um barulho muito forte e a plataforma foi atingida por tremores. Góis disse que os funcionários lembraram imediatamente da tragédia da plataforma P-36 e temiam ter o mesmo destino. No acidente, há um mês, três explosões causaram a morte de onze funcionários e nove desses corpos não puderem ser encontrados devido ao afundamento da plataforma."Pensei em tudo que se pode imaginar, só queria estar aqui, em terra", desabafou Luiz Góis, ao desembarcar no aeroporto de Macaé. Ele contou que talvez ainda precise voltar para a P-7, para terminar o serviço que fazia - injeção de nitrogênio no poço, a mais de cem metros de profundidade. "Mas pretendo não voltar. Para essa plataforma, não", disse o operador. Segundo Góis, na hora do vazamento, cerca de 90% dos 143 trabalhadores embarcados estavam dormindo. Desde que o problema foi detectado até a remoção dos funcionários para as plataformas vizinhas de Anchova e Pampo, transcorreram trinta minutos. Góis, que estava embarcado há nove dias, disse ter visto muito óleo caindo no mar. Segundo ele, o vazamento aconteceu depois do trabalho de injeção de nitrogênio, quando os operadores já estavam desmontando o material.

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