Desenvolvimento econômico e as estratégias mais que financeiras

Políticas para a área têm mais a ver com urbanismo, geografia e educação do que propriamente com o caixa

Adriana Carranca, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2008 | 00h00

Dentro do que compete à esfera municipal, muitas das políticas que podem gerar desenvolvimento econômico para o município têm mais a ver com urbanismo e a geografia da cidade do que, propriamente, com finanças. Um exemplo: segundo o último registro, de junho, o desemprego na capital paulista é de 12,7%, mas nos bairros mais distantes da zona sul, entre os quais Capão Redondo, Campo Limpo e Grajaú, chega a 18,9%, e nos fundões da zona leste, a 17,8% - índice similar ao do Sudão, país pobre da África mergulhado em uma guerra civil. Já no centro, cai para 9,8% - pouco acima da média de 9,4% da União Européia. Aproximar esses dois mundos está entre os principais desafios do próximo prefeito. "Os empregos estão concentrados no centro e na zona oeste, enquanto os paulistanos moram nas zonas leste e sul. A cidade tem grande segregação espacial", diz Alexandre Lolobian, da equipe de análise da pesquisa de emprego e renda da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). "E a região metropolitana não foge à regra." Nos sete municípios do Grande ABC, o desemprego chega a 20,3% e a 21,6% nas demais cidades da região metropolitana. Entre os paulistanos empregados, 94,6% trabalham na capital. Já entre os que vivem nos demais municípios da região metropolitana, 29% migram para São Paulo todos os dias para trabalhar. "E tem Santos, Campinas, Sorocaba. Sabemos que elas mandam carreiras de ônibus todos os dias com gente que trabalha na capital. Isso mostra que a cidade ainda oferece oportunidade para quem vem de fora", diz Lolobian. Só que esse imenso fluxo de pessoas compromete a mobilidade em São Paulo, um dos motivos para a fuga de empresas. Os obstáculos para maior desenvolvimento da capital e redução do desemprego passam pelo trânsito caótico, que afeta a logística do transporte de cargas, pela má qualidade de vida, que espanta empresários, e pelo custo alto, entre imóveis caros e impostos nada atraentes. "As chamadas economias externas - custos do trânsito, poluição, locação, impostos - espantam muitos investidores", diz Lolobian. IMPOSTOSNos últimos 12 anos, a capital enfrentou uma fuga de empresas de informática para cidades dos arredores, como Barueri, cuja alíquota de ISS para contratos antigos era de 0,25% até 2007. A Emenda Constitucional 37/2002 limitou em 2% o mínimo de ISS a ser cobrado pelos municípios. Na capital paulista, o imposto chega a 5% para certos tipos de empresas. Isso é problemático, uma vez que o setor de serviços é o que mais emprega. Do total de ocupados na cidade, 55,8% trabalham para esse segmento. A indústria emprega 16,8% e o comércio, 16,7%. Outros setores, como construção civil e trabalho doméstico, somam 11%. E não apenas as empresas de serviços deixam a capital. Em fevereiro, a Nestlé fechou sua fábrica no Pari, centro, e transferiu a produção de biscoitos para Marília, no interior.A taxa de desemprego em São Paulo já foi maior. Atingiu seu pico em 2003, quando chegou a 18,7%. E vem caindo. Foi de 18,1% em 2004, 15,7% em 2005, 14,7% em 2006 e 13,9% em 2007. Mas ainda é considerada alta para os padrões de cidades desenvolvidas: é de 5,7% em Nova York, 5,4% em Londres e 4,1% em Tóquio. "Quando a economia brasileira cresce, e ela vem crescendo nos últimos quatro anos, a economia de São Paulo cresce mais ainda. As pequenas fábricas do Brás e do Bom Retiro são exemplos disso."Mas a taxa não se aplica a toda a população. Outro desafio para o próximo prefeito será a inclusão de jovens no mercado. Para quem tem entre 18 e 24 anos, o desemprego é o dobro da média na capital: 24,5%. Na faixa entre 25 e 39 anos, já é de 12,4%. Educação, neste caso, é fundamental. Para quem tem o ensino superior completo, o índice de desemprego cai pela metade (6,1%), em relação à media. Na outra ponta, 22,2% dos que têm só o fundamental estão desempregados. Entre os que cursaram o ensino médio, a taxa é de 15%.

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