Desenvolvimento Agrário deve ficar com esquerda do PT

A pasta do Desenvolvimento Agrário, que também entrará na reforma ministerial, deve permanecer com a corrente petista de esquerda Democracia Socialista (DS), que ocupa o ministério desde o início do governo Lula. A tendência sugeriu quatro nomes para a escolha do presidente. Um dos cotados nos últimos dias é Joaquim Soriano, atual secretário-geral do PT. Agrônomo, 50 anos, nunca teve mandato político e é especialista em reforma agrária. Alagoano, mudou para São Paulo ainda cedo e cursou agronomia em Porto Alegre (RS). Atuou no ministério de reforma agrária do governo José Sarney (PMDB) entre 1986-1987 e em 1991 entrou para o PT. "O presidente é quem decide", disse à Reuters, ao ser questionado nesta quinta-feira sobre sua possível indicação. Também está entre os indicados pela corrente petista o gaúcho Miguel Rossetto, que esteve à frente da área entre 2003 e 2006. Ele deixou a pasta para concorrer pelo PT ao Senado pelo Rio Grande do Sul nas eleições do ano passado, mas perdeu para Pedro Simon (PMDB). Sobre seu relacionamento com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), um expoente da Democracia Socialista disse à Reuters que "Miguel procurou ter a melhor sintonia com MST, mas nem sempre conseguiu". Faz parte da lista ainda o deputado Walter Pinheiro (PT-BA), mas nos bastidores fala-se que ele não contaria com o anuência do Planalto por sua postura crítica em relação ao governo no primeiro mandato. A tendência também aceita a permanência de Guilherme Cassel, secretário-executivo do ministério que assumiu a pasta com a saída de Rossetto. A DS disputou as eleições para a direção do PT em 2005, tendo à frente o deputado estadual gaúcho Raul Pont. Como Pont ficou em segundo lugar, atrás do deputado Ricardo Berzoini, e a tendência passou a representar 15% do PT, ocupa desde então a secretaria-geral do partido. Apesar da corrente acreditar que Lula tem disposição em manter a pasta com a DS, especula-se que o presidente poderia escolher o deputado pernambucano Pedro Eugênio, que é ligado à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e entrou para o PT em 2001. Integrante do Campo Majoritário, principal ala do partido, ele é apoiado pelo governador Eduardo Campos (PE-PSB). O balanço da reforma agrária apresentado pelo ministério indica que foram assentados 381.419 famílias nos primeiros quatro anos de Lula. O número ficou abaixo da meta fixada pela pasta, de 400 mil famílias, e não é totalmente reconhecido pelo MST.

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