Desemprego não deve cair no segundo semestre

A taxa de desemprego não deverá cair no segundo semestre, contrariando o comportamento normal do ritmo de atividade, que costuma ser mais intenso de julho a dezembro. Em 16 anos de pesquisas do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), só em três a sazonalidade do desemprego foi interrompida. A sazonalidade do desemprego ocorreu em 1987, no Plano Bresser, em 1992, na recessão do Plano Collor, e em 1997, com a crise asiática. "Esse é um cenário possível para este ano, mas eu espero estar enganado", diz o diretor-técnico do Dieese, Sérgio Mendonça. Em maio, o desemprego na Região Metropolitana de São Paulo atingiu 17,5% da População Economicamente Ativa. O índice é ligeiramente inferior ao mês de abril (17,7%) e menor do que o registrado em maio do ano passado (18,7%). Para o segundo semestre, período que concentra os dissídios das categorias mais fortes - como metalúrgicos, bancários, petroleiros, eletricitários -, há grandes chances de que os reajustes salariais não se equiparem ao índice da inflação passada. No ano passado, 67% das categorias, das 30 acompanhadas pelo Dieese, conseguiram aumentos de salário iguais ou maiores do que a inflação acumulada no período. "O emprego voltou a ganhar destaque nas negociações salariais", diz Mendonça. Segundo ele, com o crescimento do número de empresas concedendo férias coletivas e reduzindo horas extras para ajustar a oferta à demanda menor, aumentou o medo do trabalhador de perder o emprego no curto prazo. Pesquisa de opinião realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), que ouviu 2 mil pessoas em 24 Estados entre os dias 15 e 21 de junho, revelou, por exemplo, que depois da violência, o aumento do desemprego é o efeito da crise energética mais temido pela população. Em maio, o desemprego respondia por 25% dos temores da população. Um mês depois, em junho, esse índice subiu para 35,1%. Apesar do temor da população, há empresas que, mesmo preocupadas com a retração nas vendas, não consideram a demissão uma saída viável. A Lojas Cem, por exemplo, não pretende reduzir seu quadro de 3,5 mil funcionários. "Vamos evitar cortes porque acreditamos numa melhoria do cenário nos próximos meses", diz o diretor da empresa Valdemir Colleone. Se as vendas continuarem fracas, a opção da diretoria da rede será fazer o ajuste com antecipação de férias de funcionários. "Uma saída é reduzir o número de vendedores em várias lojas, se necessário", diz Colleone. Na sua avaliação, o custo de demitir e fazer novas contratações, se o movimento melhorar, é muito alto. "Tenho certeza de que, apesar das dificuldades, os empresários vão pensar duas vezes e tentar outros ajustes antes de demitir", conclui.

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