Desemprego cairá para 7,9% na América Latina, prevê OIT

Taxa deve diminuir mesmo com crescimento da economia menor do que em 2007.

Denize Bacoccina, BBC

28 de janeiro de 2008 | 15h40

A taxa de desemprego da América Latina deve cair para 7,9% em 2008, de acordo com previsão da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a menor desde 2002.No ano passado, o desemprego na região ficou em 8,2% e, em 2006, era de 8,8%. A queda tem sido constante desde 2002, quando ficou em 11,4%.O relatório Panorama Laboral, elaborado pelo escritório regional da OIT, projeta a redução da taxa de desemprego mesmo com a expectativa de crescimento econômico menor do que no ano passado - de 5,5% em 2007 para 4,7% neste ano.O diretor da OIT para a América Latina e Caribe, Jean Manimat, disse que a evolução é positiva, mas que a concretização da queda do desemprego vai depender da economia."Haverá uma alta dose de incerteza gerada pela volatilidade da situação econômica internacional e pelos prognósticos de uma desaceleração e inclusive de uma recessão", afirmou.BrasilPara o Brasil, o relatório prevê uma taxa de desemprego de 8,8% neste ano, a menor desde 2003. Em 2002, havia sido de 7,1%, mas saltou para 12,3% no ano seguinte.A partir daí, houve queda em 2004 (11,5%) e 2005 (9,8%), pequena elevação em 2006 (10%) e nova queda no ano passado (9,3%).Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em seis regiões metropolitanas brasileiras apontou um desemprego de 7,4% em dezembro do ano passado, um ponto inferior a dezembro do ano anterior e o menor desde o início da série, em 2002.Os analistas da OIT esperam um impacto da crise nos Estados Unidos e a desaceleração do crescimento no país na economia e no mercado de trabalho latino-americano."Existe incerteza sobre a capacidade de recuperação dos países da região frente ao choque gerado pelas recentes turbulências financeiras que até agora afetaram principalmente Estados Unidos e Europa", diz o documento.O relatório projeta um aumento da inflação, menor superávit da conta corrente e contas públicos menos sólidas neste ano em relação ao ano passado."Espera-se uma modesta deterioração das condições macroeconômicas, dadas as expectativas de uma economia global menos favorável", afirma.SaláriosO Panorama Laboral também indica que, além da redução do desemprego, houve no ano passado uma pequena melhora nos salários reais, que subiram 3%, puxados pela forte melhora argentina, de 11,2%. Excluindo a Argentina, o aumento na região foi de 2,1%.O relatório destaca também que a América Latina tem um "déficit de trabalho decente", com elevada participação do trabalho informal. Em uma análise dos nove maiores países da região, o trabalho informal atinge 61,5% dos trabalhadores urbanos.O documento aponta ainda que a taxa de desemprego entre as mulheres é 60% superior à dos homens e que o desemprego entre os jovens é 2,2 vezes maior do que a média total e três vezes maior do que a dos adultos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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