Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Desempregados aproveitam para vender comida durante ato na Paulista

Ao longo de toda a via, vendedores de água, hot-dogs e batata-frita e geladinho se dividem sobre o impeachment, mas são unânimes em dizer que o País piorou nos últimos anos com desemprego e corrupção

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2015 | 17h08

São Paulo - Embora a maior parte dos manifestantes que protestam na Avenida Paulista contra a presidente Dilma sejam de classe média, ambulantes desempregados que aproveitam a movimentação engrossam o coro.  Ao longo de toda a via, vendedores de água, hot-dogs e batata-frita e geladinho se dividem sobre o impeachment, mas são unânimes em dizer que o País piorou nos últimos anos com desemprego e corrupção.

A vendedora de hot-dog Rosimeire Barbosa, de 29 anos, participou de todos os atos contra o PT para fazer bicos com seu carrinho. "Não consigo arrumar emprego fixo há dois anos", lamentou ela, que trabalhava em uma lanchonete. Embora admita que sua presença no protesto é para ganhar dinheiro, ela diz que apoia o impeachment da presidente Dilma Rousseff. "A vida está difícil para quem é mais pobre. Aumentou a conta da água, da luz". Também reclama de corrupção. "Não é possível que não saibam da roubalheira na Petrobrás". 

Desempregada há três anos, Maria do Carmo da Silva, de 42 anos, disse ter encontrado na venda de geladinho uma forma de se sustentar. Ela trabalhava como auxiliar de limpeza. "A presidente falou que ia ajudar os mais pobres e só está piorando a nossa vida. Cortes para os aposentados, corte no seguro-desemprego. Ela disse na campanha que não ia mexer com o trabalhador", reclamou. Favorável ao impeachment, Maria disse que não pôde votar em 2014,  mas que se pudesse, teria escolhido a candidata do Psol, Luciana Genro. 

Mas há também quem ache que a presidente deve ficar. O casal Márcio Oliveira, de 40 anos, e Cristina Silva, de 36, vieram ao ato para vender batata frita, mas também para protestar. "Unimos o útil ao agradável", disse Oliveira. Moradores de Diadema, eles trabalhavam em uma empresa de ônibus - como motorista e cobradora - mas foram demitidos no ano passado. Para Oliveira, muita coisa precisa mudar no País, mas não adianta mudar de presidente agora. "Ela foi eleita e tem que ficar lá. E outra coisa: é o Congresso todo que está envolvido em corrupção, não só o PT", disse.

Com um carrinho de garrafas de água gelada, o desempregado Cícero Ferreira, de 39, pensa da mesma forma. "Vai colocar quem no lugar da Dilma? PMDB?". Ele vive atualmente em um prédio invadido na região central de São Paulo, mas disse já ter trabalhado como ajudante-geral em uma padaria, quando vivia de aluguel. "Acho que a corrupção sempre existiu e estourou na mão do PT. Lembra do Collor? Era tudo igual", disse.

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