Desempregado tenta se matar em protesto de madeireiros

Um trabalhador desempregado de uma empresa madeireira de Novo Progresso, no oeste do Pará, tentou se matar, embebendo o corpo em gasolina, durante manifestação simultânea realizada em treze municípios contra o fechamento de serrarias e demissão de mais de 30 mil pessoas do setor em todo o Estado. O homem, conhecido apenas por Índio, foi salvo por colegas quando se preparava para atear fogo em suas vestes e levado com queimaduras leves a um hospital. "O que ele fez é reflexo do desespero de milhares de trabalhadores paraenses, que vivem da atividade madeireira e estão sendo demitidos diariamente", criticou o empresário Paulo Barros, responsabilizando os governos federal e estadual pela não liberação de pelo menos 500 planos de manejo de madeira que abarrotam a Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sectam), órgão que a menos de um ano assumiu papel antes desempenhado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Barros disse que as empresas possuem madeira em seus estoques para serrar no máximo até julho e não há perspectiva de liberação de corte enquanto a Sectam não liberar os projetos engavetados. "É o caos, nunca vi situação tão ruim como agora", emendou José Elias Garoti, que é proprietário de uma pequena madeireira há onze anos perto de Belém. O sindicato da categoria decidiu organizar os protestos de forma simultânea para chamar a atenção do governo para um problema que se arrasta a quase dois anos. No total, cerca de 10 mil patrões e empregados saíram às ruas do Pará, levando faixas, cartazes e muita gritaria em carros-som. Em muitas cidades o comércio fechou as portas, apoiando a manifestação.Nas cidades de Anapu, Pacajá, Uruará, Santarém, Paragominas, Jacundá, Tomé-Açu, Tucuruí. Goianésia, Breu Branco, Tailândia, Moju e Novo Progresso, a Polícia Militar teve de também ir às ruas para evitar tumulto e quebra-quebra. "Aqui não tem vagabundo, nem ladrão, é tudo gente que contribui para o progresso do Brasil. Exigimos respeito. Queremos matéria-prima para trabalhar", dizia uma grande faixa em uma avenida da cidade de Tailândia, no sudeste paraense. O vereador de Tomé-Açu, Antônio Matos, ligado a madeireiros, disse ao Estado que 50% da economia do seu município depende do setor florestal e qualquer instabilidade na atividade traz reflexos desastrosos. "Continuamos com a preocupação em relação as questões ambientais, mas acreditamos na boa convivência da atividade com o meio ambiente. E vejo que as conseqüências não são apenas para Tomé-Açu, mas todo o Pará", resumiu. Desde o começo deste ano, segundo o sindicato dos madeireiros, nenhum projeto de manejo teve a renovação anual aprovada pela Sectam para funcionar. Por conta disso, metade das serrarias de Tailândia fechou as portas nos últimos dois meses. "Tem gente morrendo de fome, porque não tem nem emprego e nem comida para sustentar seus filhos", afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tailândia, Francisco das Chagas. A Sectam admite sua culpa na demora em analisar e liberar os planos de manejo, dizendo que mais de 300 projetos estão parados. Ela prometeu para a próxima semana montar uma força tarefa para acelerar a análise dos projetos. Também deve contratar técnicos em regime de urgência para fazer o trabalho.

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