Desembargador pode estar envolvido grilagem no DF

O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, pediu hoje ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que investigue o envolvimento do desembargador Wellington Medeiros no suposto esquema de grilagem de terras públicas no Distrito Federal. Em parecer de apenas 12 linhas, Brindeiro encaminha gravações de conversas telefônicas do desembargador com o empresário e deputado distrital eleito Pedro Passos, acusado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Distrital de ser o maior grileiro da capital federal. Novos trechos de gravações de conversas telefônicas, em análise na Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, mostram que Pedro Passos e o desembargador Wellington Medeiros mantinham estreita relação de amizade. Tratavam até de assuntos íntimos. Em um dos diálogos gravados, Medeiros estava na casa de uma cafetina de Brasília, de prenome Jane. "Vim fazer uma visita aqui pra Jane... Ela á brava com você rapaz...", diz o desembargador. "Ah, por quê? (risos)", pergunta Passos. "Tem uma fila aqui de mulher querendo receber dela e ela não recebeu de você." Pedro Passos nega a dívida: "Eu já paguei ela quinhentos contos e ela quer que eu pague mais duzentos". Nesse instante, o desembargador passa o telefone para a mulher. O empresário promete que Medeiros pagará a dívida. O desembargador Wellington Medeiros não se pronunciou sobre as novas denúncias. A assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça informou que uma sindicância interna e sigilosa investiga, há duas semanas, a conduta do desembargador. As gravações telefônicas vão ser anexadas ao processo que o governador Joaquim Roriz enfrenta no Superior Tribunal de Justiça. Desde 22 deste mês, o ministro José Arnaldo da Fonseca, relator do caso, analisa as denúncias de participação de Roriz na grilagem de terras em Brasília. A pedido do Ministério Público Federal, o tribunal investiga a relação entre o governador e os irmãos Pedro, Márcio, Alaor e Eustáchio Passos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.