Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Desde as eleições tentam impedir meu governo de forma golpista, afirma Dilma

Enquanto a presidente falava de ação golpista, os presentes na cerimônia no Palácio do Planato gritavam "não vai ter golpe!"

Adriana Fernandes, Eduardo Rodrigues, Anne Warth, Lorenna Rodrigues e Carla Araujo, Brasília

17 de março de 2016 | 11h23

Brasília - A presidente Dilma Rousseff acusou a oposição de querer tirar o seu mandato de forma golpista. "Com Lula, teremos mais força de superar as armadilhas que jogam no nosso caminho", disse durante a cerimônia de posse do ex-presidente Lula na Casa Civil. Segundo ela, desde as eleições de 2014 os oposicionistas "não fazem outra coisa a não ser paralisar o meu governo e tirar o meu mandato de forma golpista", disse. Enquanto a presidente falava de ação golpista, os presentes na cerimônia no Palácio do Planato gritavam "não vai ter golpe!". 

Ainda durante a cerimônia, a presidente Dilma afirmou que o momento de crise lhe dá a "magnífica chance" de trazer ao governo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assume a chefia da Casa Civil nesta quinta-feira, 17. "As circunstâncias me dão a magnífica chance de trazer para governo o maior líder político desse País", afirmou, provocando aplausos e saudações da plateia formada por sindicalistas e aliados.

Dilma destacou que além de ser um grande líder político, Lula "é um grande amigo e companheiro de lutas e conquistas". "Conto com a identidade que ele tem como esse País. É com isso que eu conto. Conto com sua incomparável capacidade de olhar nos olhos no nosso povo e de entender esse povo, de querer o melhor para esse povo e também de ser entendido e por ele amado", disse a presidente. Ontem, ao ser oficializado o nome de Lula como ministro, uma série de protestos contrários tomou o País.

'Gritaria'. No discurso exaltado, a presidente disse ainda que é necessário “superar os ódios” no País e afirmou que a “gritaria dos golpistas” não vai tirá-la do rumo, não vão “colocar nosso povo de joelhos” nem causarão “caos e convulsão social”.

Dilma fez muitas críticas à divulgação da gravação de sua conversa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que o fato coloca em risco todos os cidadãos brasileiros. “Os golpes começam assim”, disse.

“Estendemos a mão para todos aqueles que querem o bem do Brasil. Não exigimos nada a não ser o diálogo e a ação consertada”, afirmou. “Temos que superar os ódios e a atuação daqueles que não têm razão, não estão do lado da verdade e não terão força política para provocar o caos e a convulsão social”, acrescentou.

Imediatamente, os convidados à cerimônia da gritaram palavras de apoios à presidente. “Dilma, guerreira, mulher brasileira.”

Dilma disse que o País vive um momento ímpar em sua história, pois, segundo ela, o combate à corrupção tem sido realizado sem obstrução do governo. “Mas temos que reafirmar a centralidade dos direitos individuais, a normalidade nacional e a soberania da constituição.”

Reconhecendo o momento difícil, Dilma disse que a presença de Lula prova que ele tem "a grandeza dos estadistas e a humildade dos verdadeiros líderes". "Isso prova que não há obstáculo à nossa disposição de trabalhar juntos pelo Brasil."

A presidente rechaçou a ideia de que em algum momento os dois estiveram distantes e afirmou que a disposição se seu "querido companheiro" de fazer parte do governo mostra para aqueles que "sempre apostaram na nossa separação" que os dois sempre estiveram e estarão juntos.

Dilma disse que ela e seu antecessor e padrinho político tem em comum "a consciência de um projeto para o Brasil". "Um projeto extremamente generoso para o Brasil que olha sobretudo para seu povo, para aquela parcela do povo que é a mais sofrida e que sempre foi a grande maioria da população, excluída das riquezas desse maravilho País."

A presidente lembrou ainda que trabalhou como ministra de Lula e disse que os dois sempre estiveram do mesmo lado. "E a partir de agora novamente trabalharemos lado a lado, sempre lutamos pelos brasileiros", afirmou. "Pelos brasileiros estamos juntos outra vez", afirmou.

Reversão. Em uma sinalização de que a chegada de Lula é uma tentativa do governo de reverter a crise política, Dilma fez um aceno a oposição e afirmou que neste momento de dificuldades "não posso prescindir de ninguém". "Nesse momento temos que estar juntos pelo Brasil. Eu, Lula nossa base política, nossa base social e mesmo os opositores que querem o melhor para o País", afirmou. "Podemos todos agir em conjunto", reiterou.

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