Desde 2005, Rural só amarga prejuízos

Banco demitiu 1,4 mil e fechou 2006 com um rombo de R$ 76,3 milhões

Cley Scholz, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2025 | 00h00

Na contramão dos lucros recordes dos bancos brasileiros, o Banco Rural teve a imagem duramente abalada pelo escândalo do mensalão e mergulhou no prejuízo nos balanços divulgados nos últimos dois anos. Dirigentes do Rural são acusados de fazer empréstimos "fictícios" ao empresário Marcos Valério e ontem o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou processo contra eles.Tido como o mais importante banco médio brasileiro até 2004, o Rural reduziu os postos de atendimento de 122 para 39 e dispensou mais de 1.400 funcionários, ficando com 820. Após apresentar lucro de R$ 132,4 milhões em 2004, o banco teve um prejuízo de R$ 322 milhões em 2005, quando estourou o escândalo do mensalão, e de R$ 76,3 milhões no ano passado. O balanço do primeiro semestre de 2007 ainda não foi divulgado."O Rural emagreceu muito por causa do abalo na sua imagem", diz o especialista em análise de bancos Luís Miguel Santacreu, da Austin Rating, agência de classificação de risco de instituições financeiras. Ele explica que o Rural começou a perder depósitos na intervenção do Banco Santos, que abalou todos os bancos médios. A situação piorou com o caso do mensalão. O total de seus créditos caiu de R$ 4,5 bilhões em 2004 para R$ 940 milhões no ano passado. A instituição contratou ex-diretores do Banco do Brasil e do Banco Central para buscar saídas. No primeiro trimestre deste ano o resultado melhorou. "O banco voltou ao equilíbrio e pode lucrar, se o julgamento não atrapalhar", afirma Santacreu.BMG CRESCEAo contrário do Rural, o BMG vem aumentando os lucros. Ele é acusado de ter sido beneficiado, entrando antes dos demais bancos no mercado de empréstimos consignados, em troca de empréstimos ao PT. "A imagem do banco sofreu desgaste, mas não com a mesma intensidade do Rural", diz Santacreu.No primeiro semestre, o BMG teve lucro de R$ 253 milhões, com rentabilidade sobre o patrimônio líquido de 43%. O banco tem a vantagem de trabalhar com parcerias (correspondentes bancários). São 370 postos de atendimento terceirizados no País e 30 mil agentes de venda de crédito consignado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.