Desde 2003, governo pagou R$ 354 milhões à empresa

Presença é forte no PAC, principal plano de obras da União, e também em diversos Estados e municípios

Marcelo de Moraes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2009 | 00h00

Alvo da Polícia Federal nas investigações feitas dentro da Operação Castelo de Areia, a Camargo Corrêa recebeu R$ 354,9 milhões em verbas federais desde 2003, ao ser contratada para a realização de obras. Os dados, levantados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo pela assessoria técnica do DEM, equivalem a uma média de R$ 50 milhões anuais somente em recursos federais, já que a empresa também tem atuação forte nos Estados e municípios. A companhia tem ainda presença significativa na relação de projetos do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), principal plano de obras do governo. Ela integra o consórcio Enersus (Energia Sustentável do Brasil), que vai cuidar da obra bilionária da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia. Uma das principais ações do PAC, a obra de Jirau receberá um financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor de R$ 7,2 bilhões, para sua construção, operação e manutenção. Levantamento feito pelo site Contas Abertas mostra que a Camargo Corrêa já recebeu nos últimos três anos cerca de R$ 129 milhões, apenas em obras do PAC que não incluem recursos de empresas estatais, Estados e municípios. A construtora é a 15ª colocada no ranking das que mais receberam recursos públicos vinculados ao PAC, se considerados somente os repasses feitos diretamente pelo governo federal (isso exclui o dinheiro que virá de Jirau, por exemplo).Dentro do PAC, outra obra importante que tem a participação da empresa é a construção da Ferrovia Norte-Sul, no trecho Anápolis-Uruaçú, em Goiás. Por conta desse projeto, a Camargo Corrêa recebeu R$ 44,1 milhões do Ministério dos Transportes, em 2008. Para este ano, toda a obra conta com uma previsão orçamentária equivalente a R$ 1,7 bilhão. A ferrovia é considerada uma das peças estratégicas do PAC, uma vez que sua extensão chegará a 2,2 mil quilômetros, atravessando quatro Estados (Goiás, Pará, Tocantins e Maranhão). A construção de outra usina incluída no PAC, com participação da Camargo Corrêa, poderá deixar de ser feita em 2009. A usina de Santa Isabel, no Rio Araguaia, é alvo de contestações do Ministério do Meio Ambiente. Há questionamentos também da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Há temor de que a barragem da usina inunde áreas onde podem estar enterrados restos mortais de combatentes da guerrilha do Araguaia, desaparecidos até hoje. O projeto é estimado em R$ 2 bilhões, sendo executada pelo consórcio Gesai. Além da Camargo Corrêa, estão envolvidas as companhias Vale do Rio Doce, Billiton Metais, Alcoa Alumínio e Votorantim Cimentos.

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