Descentralizador, ministro desagrada aos sanitaristas

Mais do que a frustração de petistas, a indicação do secretário de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, para ministro da Saúde do governo Dilma provocou a inquietação de integrantes do movimento sanitário do País.

Bastidores: Lígia Formenti,

30 de novembro de 2010 | 21h44

 

Pai de uma das bandeiras de campanha da presidente eleita na área de saúde, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Côrtes é visto como um defensor da ampliação da participação do setor privado na saúde pública. Algo considerado por setores mais tradicionais como uma afronta ao SUS.

 

O receio é de que o futuro ministro da Saúde transforme num movimento nacional a tendência da parceria público-privada na saúde que vem sendo identificada, por exemplo, no Rio com as Organizações Sociais e, em São Paulo, com as Oscips.

 

Côrtes, que já foi interventor na Saúde do Rio durante a gestão do ministro Humberto Costa e diretor do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), ao assumir a secretaria do Rio não economizou críticas ao sistema de funcionamento dos hospitais.

 

Para ele, a melhor forma de profissionalizar e garantir qualidade no atendimento era alterar a forma de gestão. Substituiu laboratórios de hospitais pelo serviço de empresas contratadas. Tentou, a exemplo de outros secretários, reduzir as cooperativas. Mas não conseguiu.

 

Além de considerarem exagerada a defesa pela terceirização da saúde, sanitaristas desprezam a proposta das UPAs criada por Côrtes e encampada por Dilma. A ênfase no atendimento de urgência, afirmam, é uma medida que está longe de resolver problemas. Em termos de custo-benefício, o ideal seria investir pesado na assistência básica.

 

Para petistas, Côrtes representa mais do que uma simples ameaça de terceirização do sistema de saúde. O grupo, que teve de abrir mão do comando da pasta para PMDB ainda no primeiro mandato de Lula, nunca mais conseguiu reaver a área.

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