Desastre da escravidão ainda ecoa no País

A Câmara cumpriu sua tarefa e deu um grande presente ao País no Dia da Consciência Negra. Com a instalação da escravidão no Brasil, o Estado definiu cota zero para a população negra, em termos de cidadania, acesso ao emprego, aos serviços públicos. Todo escravizado nunca teve direito a nada. As conseqüências desse desastre ecoam até hoje na sociedade brasileira e são constatadas em pesquisas que mostram as diferenças entre brancos e negros em termos de renda, acesso a emprego, ensino público. É preciso mudar esse quadro. O Estado tem a obrigação de fazer com que se cumpra o que está escrito na Constituição do País, assegurando as todos os cidadãos os mesmos direitos e oportunidades.Hoje a população negra presente nas universidades gira em torno de 2% do total de alunos. O número está aumentando, em decorrência do ProUni, que abre oportunidades para os estudantes com menos recursos. Mas ainda é pequeno.O projeto aprovado destina-se a todo o povo pobre - entre eles os negros e os indígenas. Já temos registro de experiências de universidades que adotaram esse método e puderam constatar sua eficácia: o aproveitamento dos alunos que entram na universidade pelo sistema de cotas é igual ao dos estudantes que prestam vestibular. Em alguns casos chega a ser melhor. Não é difícil compreender isso, considerando que muitos deles sofreram na carne as conseqüências da miséria e desejam aproveitar todas as oportunidades que lhe são oferecidas.O vestibular, nos moldes atuais, é extremamente seletivo em termos econômicos e, muitas vezes, perverso.Temos que olhar a experiência de outros países em que não há vestibular, onde a capacidade do aluno não se mede num exame, mas por meio de avaliações feitas ano a ano, período a período.O sistema de cotas não é para durar eternamente. Vai chegar um dia em que as condições de estudo nas escolas públicas serão tão boas que não será mais preciso adotar esse tipo de política. Todos terão as mesmas oportunidades. *Deputado federal, formado em Direito e ex-presidente da CUT

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.