DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Desarquivar projeto é praxe, diz Eduardo Cunha

Além de resgatar suas próprias propostas, presidente da Câmara dos Deputados afirma haver ‘preconceito’ contra deputados evangélicos

Roldão Arruda , O Estado de S. Paulo

21 Fevereiro 2015 | 17h10

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tem usado as redes sociais para rebater as críticas à sua atuação como presidente da Câmara. Pelo Twitter ele já disse que o desarquivamento de propostas arquivadas em legislaturas anteriores é comum e faz parte das normas da Casa.

“Não apresentei qualquer projeto novo de minha autoria. Apenas pedi o desarquivamento de minhas proposições. Isso é o normal que qualquer deputado reeleito faz”, explicou.

Sobre os dois projetos desarquivados que não são de sua autoria (um tenta dificultar a interrupção da gravidez mesmo em caso de estupro, oferecendo uma espécie de bolsa para o sustento da criança, e o outro visa impedir a adoção por casais formados com pessoas do mesmo sexo), disse: “Isso não significa que eu esteja bancando qualquer projeto.”

O presidente da Câmara também tenta mobilizar a comunidade de evangélicos a seu favor. “É preciso parar de discriminar os deputados evangélicos”, disparou dias atrás pelo Twitter.

Na semana que antecedeu o Carnaval, antes de viajar para Portugal, onde se encontrou com o primeiro-ministro Pedro Coelho, Cunha recebeu dois líderes evangélicos em seu gabinete e participou de ato religioso na Câmara. O culto foi organizado por João Campos (PSDB-GO) - o evangélico que tentou aprovar, em 2013, o projeto que autorizava a chamada cura gay.

Cunha posta salmos da Bíblia em sua página no Facebook e sempre defendeu as bandeiras dos evangélicos mais conservadores. Em 2006, apresentou um projeto de lei que transformava o aborto em crime hediondo. Em 2011 voltou à carga com outro projeto, que previa prisão de até 20 anos para médicos que fizessem intervenções para interromper a gravidez.

Em 2014, derrubou, por meio de pressões políticas, uma portaria do Ministério da Saúde que regulamentava o acesso ao SUS nos casos de aborto previstos nos Código Penal (quando a gravidez decorre de violência sexual, quando há risco de morte para a mãe e em casos de anencefalia).

Logo em seguida, durante um Congresso da Assembleia de Deus, com a presença da presidente Dilma Rousseff, que procurava apoio político dos evangélicos, ele se vangloriou do feito: “Procurei o ministro da Saúde e, em menos de 24 horas, ele revogou a portaria.”

Sempre foi um dos parlamentares mais conservadores da base aliada. Para a deputada Erika Kokay (PT-DF), ele é capaz de atropelar grupos sociais em nome da religião. “O projeto que ele desarquivou, sobre o dia do orgulho heterossexual é um escárnio. Ele escarnece da dor provocada em tantas pessoas pelos ataques de ódio homofóbico. Foi para superar esse ódio e manifestar o orgulho de ser o que é, que a comunidade LGBT criou o dia do orgulho gay.” 

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