Desaparecem duas provas do caso Galdino

Sumiram do Tribunal do Júri de Brasília duas provas materiais do caso do assassinato do índio Galdino Jesus dos Santos. Trata-se de duas garrafas que foram usadas pelos quatro rapazes para carregar o álcool com o qual ateariam fogo ao corpo de Galdino, enquanto dormia em um ponto de ônibus, em abril de 1997. Por causa disso, o julgamento foi interrompido, e o assistente da acusação, o advogado e deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), foi apanhar o laudo pericial do local do crime.Greenhalgh estava fazendo a sua explanação no julgamento e, ao anunciar que apresentaria as duas garrafas - para mostrar que, ao contrário do que dissera um dos réus, nenhuma delas havia explodido com o fogo -, percebeu a falta dos objetos.Ninguém soube, até agora, explicar o sumiço das provas. Greenhalgh assegura que viu as peças ainda ontem. A acusação já pensa em pedir o cancelamento do júri, se as provas não reaparecerem. Os seguranças do Tribunal Júri estão revirando contêineres de lixo nas proximidades do tribunal, em busca do laudo e das garrafas. O promotor do caso, Maurício Miranda, disse que a última vez em que vira as duas garrafas fora na quarta-feira. Ele explicou que as provas ficam em poder e sob a responsabilidade do Poder Judiciário. "Parece que houve faxina na sala (do júri) à noite", disse o promotor, sugerindo a possibilidade de funcionários do serviço de limpeza terem retirado os objetos do local sem saberem da sua importância. Policiais e seguranças do tribunal estão trabalhando em conjunto na procura das duas garrafas. O promotor disse que também sumiram cópias de documentos que ele havia entregue aos jurados.

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