Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Desanimado, Nobre diz que defesa está difícil e que Cunha precisa se defender politicamente

O advogado do presidente afastado da Câmara revelou que esperava que o relator concedesse pelo menos quatro das 16 nulidades apontadas no recurso e classificou o relatório de Fonseca como 'decepcionante'

Daiene Cardoso e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2016 | 15h35

BRASÍLIA - Desanimado com a perspectiva de derrota na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o advogado Marcelo Nobre disse que o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deverá comparecer à Comissão pessoalmente, na próxima segunda-feira,  11, para fazer sua defesa. O presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB-PR), cedeu às pressões e antecipou a apreciação do parecer de Ronaldo Fonseca (PROS-DF). "Ele tem de vir e fazer a defesa política", afirmou.

Nobre revelou que esperava que o relator concedesse pelo menos quatro das 16 nulidades apontadas no recurso de Cunha, entre elas o impedimento do relator no Conselho de Ética, Marcos Rogério (DEM-RO), o aditamento da representação e o duplo julgamento do peemedebista, que também responde sobre a existência de contas no exterior na Operação Lava Jato. Só a anulação da votação por chamada nominal de deputados no conselho foi acolhida. O advogado disse que o relatório de Fonseca era "decepcionante" e que a defesa de Cunha se tornava mais difícil.

O advogado acredita que só a percepção dos membros da CCJ de que o regimento interno foi "violado" pelo Conselho de Ética e de que uma decisão contra Cunha é casuística pode reverter o cenário. Ele lembrou que futuramente qualquer um dos deputados poderá se encontrar na mesma situação do peemedebista hoje. "Isso terá consequências na vida parlamentar", ponderou.

Único a se manifestar publicamente na sessão desta quarta-feira, 6, a favor de Cunha, o vice-líder do PMDB, Carlos Marun (MS), lamentou que o relator não tenha apontado o impedimento do presidente do conselho por "atrapalhar" o processo. Marun negou que o grupo favorável a Cunha tenha "manobrado" e disse que cumprir o regimento não é manobrar. "Com o meu apoio, o regimento da Casa e a Constituição não serão rasgados", declarou ao final da sessão.

Marun defendeu que o presidente afastado da Câmara renuncie ao posto. "Uma renúncia poderia tirar a tensão do ambiente para que pelo menos os seus argumentos sejam ouvidos", pregou.

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