Desafeto de Marina Silva, Mangabeira nega divergências

Nomeação de ministro para coordenação do Plano Amazônia Sustentável (PAS) pode ter motivado saída

Luiz Weber, de O Estado de S.Paulo

13 Maio 2008 | 18h58

Desafeto mais recente da ex-ministra do Meio Ambiente  Marina Silva , o ministro da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, disse nesta terça-feira, 13, que "jamais teve qualquer divergência" com a colega de Esplanada. A assessoria de Mangabeira informou que o ministro disse lamentar a saída do governo da senadora petista. Segundo Mangabeira, "nada abalará o compromisso do governo Lula e do Brasil com o desenvolvimento sustentável da Amazônia, que se confunde como próprio engrandecimento do País".  Fonte da área do meio ambiente comentou que um dos motivos que podem ter levado Marina Silva a, desta vez, ter decidido pedir demissão foi o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter destinado a Mangabeira a coordenação do Plano Amazônia Sustentável  (PAS), lançado oficialmente no último dia 8, no Palácio do Planalto. A nomeação teria sido a gota d'água.  Veja Também:Marina pede demissão; Minc é escolhido para Meio AmbienteConheça a carreira política de Marina Silva Saiba quem é Carlos Minc, chamado para o lugar de Marina  Veja galeria de fotos da gestão da ministra Íntegra da carta de demissão de Marina SilvaFurioso, Lula diz que Marina foi 'espetaculosa' Nomeação de Mangabeira no PAS teria sido a gota d'água para MarinaMangabeira nega divergência com Marina SilvaAntes de sair, Marina fez duras críticas aos biocombustíveisVeja os ministros que deixaram o governo Lula Especial: Amazônia - Grandes reportagens   A demissão da ministra Marina Silva põe fim a um processo de desgaste que se acentuou no ano passado, quando o atraso na concessão de licenças ambientais pelo Ibama foi apresentado como o grande vilão para o não andamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Marina chegou a protagonizar disputas com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o próprio Lula fez críticas públicas à área sob seu comando quando a falta de licenças atrasou o processo de leilão das usinas do Rio Madeira. Marina fez um discurso durante a solenidade no qual não escondeu seu descontentamento no cargo. "Sempre fui chamada de ministra dos bagres", disse ela, referindo-se à polêmica em torno das espécies de peixes que poderiam ser extintas com a construção das usinas do Rio Madeira. Durante todo o fim de semana, a ministra discutiu a possibilidade de sair do Ministério em conversa com seus principais assessores. Roberto Mangabeira Unger, por sua vez, teve reunião nesta terça-feira com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, com quem discutiu uma política para estimular a produção de grãos a longo prazo. Ao sair do ministério, Mangabeira disse que está discutindo com outros ministros uma política para o desenvolvimento sustentado da Amazônia. Ele não deu mais detalhes sobre o assunto.

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