Derrubamos secretaria por 'insatisfação', admite Renan

O senador diz que nomeações do PT levou PMDB a votar contra MP que criava secretaria de Longo Prazo

27 de setembro de 2007 | 13h20

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), admitiu nesta quinta-feira, 27, que a decisão que levou seu partido a ajudar a derrubar a medida provisória do governo que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo foi manifestação de "insatisfação", segundo a rádio CBN. A bancada do partido está insatisfeita com nomeações do PT no loteamento de cargos públicos.   Veja Também:    Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado       Na última quarta-feira, a maioria absoluta da bancada do PMDB do Senado deu uma prova de fogo ao governo. Aliando-se à oposição, o PMDB , com consentimento de Renan , derrubou , por 46 votos a 22 votos , a Medida Provisória 377 que criava a da secretaria, que já funcionava sob o comando do filósofo Roberto Mangabeira Unger.       A rejeição à medida provisória significa a exoneração de mais de 600 cargos ao todo. A votação da MP foi nominal, porque o líder do PSDB Artur Virgílio (AM) pediu verificação de quórum. Na avaliação de senadores, o PMDB quis mostrar força ao governo e dar o recado de que está insatisfeito com o modo pelo qual o Planalto trata o partido e faz as suas nomeações. O estopim foi a indicação do petista José Eduardo Dutra para a presidência da BR Distribuidora.   Há uma expectativa de que o governo poderá editar uma outra MP para tratar especificamente da criação da Secretaria de Ações de Longo Prazo. O senador Aloizio Mercadante atribuiu a crise ao presidente do Senado, Renan Calheiros. "O fator de instabilidade na casa é Renan Calheiros", afirmou Mercadante. A rebelião no PMDB foi organizada justamente por senadores ligados a Renan.   Essa é a primeira derrota do governo no Senado após o plenário decidir pela absolvição do presidente do Senado. Renan, no entanto, negou  segundo à rádio CBN que a decisão de vetar a MP tenha algo a ver com sua situação  na Casa.   Renan é alvo de três processos no Conselho de Ética no Senado. Ele é acusado de beneficiar uma cervejaria, ser dono oculto de duas rádios em Alagoas e participar de esquema de propina envolvendo membros do PMDB.

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