Derrota no PMDB não impedirá candidatura de Itamar

O comando da ala oposicionista do PMDB anunciou hoje que, se a tese da candidatura própria for aprovada na convenção do partido no domingo, lançará o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, como candidato à Presidência da República - mesmo que perca a disputa pela direção da legenda. A decisão foi anunciada após uma reunião de Itamar com alguns líderes do grupo e baseia-se numa avaliação oficial otimista do número de votos que os itamaristas terão no encontro. O próprio governador, porém, não quis dizer o que fará se seu grupo perder a luta pelo diretório nacional. Deixar o PMDB ainda é uma alternativa. "A velocidade conjuntural da política brasileira muda repentinamente, e é muito difícil calcular essa velocidade, mesmo que a gente entenda um pouquinho de física", disse Itamar. O governador se reuniu por cerca de duas horas, no Hotel Rio Othon Palace, em Copacabana, na zona sul, com o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, os deputados federais Paes de Andrade (CE) e Marcelo Barbieri (SP) e o senador Íris Rezende (GO). A chapa da ala é encabeçada pelo senador Maguito Vilela (GO), atual presidente em exercício, candidato à reeleição. Do outro lado, concorrerá ao cargo o deputado Michel Temer (SP).Um dos que exibiram o discurso otimista em relação ao resultado da convenção, ressaltando a importância da aprovação do lançamento de candidato próprio a presidente, foi Quércia. Ele lembrou que duas perguntas serão feitas aos convencionais: se concordam com a candidatura própria e com uma prévia para a escolha do candidato, em 20 de janeiro de 2002. O ex-governador admitiu que a decisão pode ser mudada, mas afirmou esperar que 90% dos convencionais aprovem o lançamento de candidato próprio, já que até entre os governistas há defesa dessa proposta, embora muitos duvidem a sua sinceridade."Vencendo essa tese, Itamar Franco é candidato à Presidência da República, independentemente do resultado da convenção de domingo", disse Quércia. "O outro lado pode até eleger maioria na convenção, mas, se vencermos a tese de candidatura própria, está definida a candidatura Itamar." Segundo o ex-governador, uma contagem dos votos feita ontem deu ao grupo pró-Itamar 40% dos votos.Para Íris, a tese da candidatura própria é tão importante quanto a disputa pelo comando do partido. "Toda vez que se luta por uma causa, você tem que lutar sempre preparado para um possível insucesso", disse. "Então, estamos certos que a chapa liderada pelo Maguito vai ter um grande desempenho, com grandes possibilidades de vitória. Mas, na verdade, o que interessa hoje às bases é a candidatura própria do partido." Ele previu que poderá haver, no encontro, ânimos exaltados e uma grande torcida pró-Maguito, deslocada de Goiás. "Goiás está próximo de Brasília, então é muito natural que compareçam ali milhares de torcedores", afirmou.DenúnciaUm dia após dizer que o presidente Fernando Henrique Cardoso será capaz até de fraudar a eleição de 2002 pela manipulação das urnas eletrônicas de votação, Itamar voltou ao assunto, criticando a suposta intervenção do presidente na convenção do PMDB, que ser daria, entre outros meios, pela liberação de verbas oficiais. Ele anunciou que vai estudar juridicamente a possibilidade de pedir ajuda à Organização dos Estados Americanos (OEA) para que envie observadores checar a lisura do pleito do ano que vem."Queremos observadores deles aqui no Brasil, senão da organização do ex-presidente Jimmy Carter", disse o governador. "Temos suspeição sobre uma série de coisas: primeiro, a intervenção indevida do senhor presidente da República numa convenção partidária, coisa inusitada no País; a corrupção endêmica que está no governo; o governo não permitir que o Congresso Nacional verifique os atos de corrupção; todas as leviandades cometidas durante seu governo; e agora, pressões sobre um partido para impedir que este ou aquele candidato possa concorrer."Simon O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez hoje, em Brasília, um apelo ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco, para que permaneça no PMDB e dispute com ele a indicação para ser candidato do partido à Presidência da República. Segundo assessores de Simon, ele alertou para a necessidade de que seja marcada pelo debate "civilizado e democrático" a convenção que o PMDB realizará no próximo domingo, "para que não se repita a tragédia da convenção de 1998, quando o partido vetou Itamar Franco e decidiu apoiar a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, em meio a tumultos provocados por gente que não tem o espírito partidário e não ama o PMDB."

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