''Derrota não é malogro da política externa''

Amado Luiz Cervo: historiador

Entrevista com

Daniel Bramatti, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

Amado Luiz Cervo, especialista em relações internacionais e professor de História na UnB e no Instituto Rio Branco, aplaude a política externa adotada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, a derrota na articulação por um cargo na Organização Mundial do Comércio não deve ser vista como um "malogro".A derrota da ministra Ellen Gracie na OMC é uma evidência de erros na política externa brasileira?Não. O atual governo tem pretensão de exercer um papel muito importante na esfera internacional. O exemplo mais evidente disso é a tentativa de obter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. As organizações internacionais oferecem um leque muito grande de postos, e é bom que o Brasil tenha candidatos. Uma eventual derrota não é um malogro da política externa. A diplomacia brasileira conquistou nos últimos anos um reconhecimento muito grande, assim como o próprio presidente Lula.O Itamaraty tem sido criticado por adotar uma linha de aproximação com outros países do terceiro mundo, sem grande peso no cenário internacional. O sr. acha que isso deve ser revisto?Nessa discussão sobre o chamado terceiro-mundismo há correntes que se chocam em função de interesses econômicos. No meio empresarial, há quem prefira um maior alinhamento com os Estados Unidos por achar que pode exportar mais para lá. E há quem defenda maior proximidade com a Argentina e outros vizinhos da América Latina. O que o Estado tem de fazer é buscar um equilíbrio e zelar pelo interesse nacional. É verdade que o Brasil ganha muito com seu terceiro-mundismo, mas nem por isso deixou de manter parcerias com os Estados Unidos e a Europa. O lugar do Brasil é o mundo.O sr. vê condições de o Brasil obter uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU?Impossível prever. O Brasil tem condições e prestígio, mas, na hora de reformar a ONU, os grandes não querem dividir poder.

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