Derrota do PT em Porto Alegre sugere desgaste

Embora com algumas leves diferenças, analistas ouvidos hoje pela Agência Estado coincidem em alguns pontos ao indicar os motivos para a derrota do PT em Porto Alegre (RS), cidade que o partido governava há quatro mandatos consecutivos. Dois destes fatores são o desgaste da legenda na administração e a pouca renovação de seus líderes partidários. Os analistas consideram que, dadas as circunstâncias, este desgaste não é uma exclusividade do PT, mas mesmo assim colaborou para que a sigla perdesse "seu cartão postal", como define a doutora em ciência política e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Celi Regina Pinto.O desgaste de ser governo por 16 anos não seria suficiente para determinar a vitória de José Fogaça (PPS) - que obteve 53.721 votos de diferença ante Raul Pont (PT) -, ressalta o professor de ciência política, ex-reitor da Ufrgs e diretor do site "Política para Políticos", Francisco Ferraz. "Desta vez, a oposição apresentou um candidato com posição de centro-esquerda e que, por suas características pessoais, era capaz de entrar no eleitorado que votava no PT", avalia. Para Ferraz, é a combinação destes dois elementos que explica melhor a vitória da oposição na capital gaúcha. O resultado, contudo, não significa "rejeição" ao PT, mas indica um "cansaço" do eleitor, opina Ferraz. "A população naturaliza as melhorias do PT, elas aparecem fazendo parte da cidade", indica Celi, ponderando que isso faz parte da política.Uma questão interna do PT pode ter colaborado, conforme estas análises. "O PT tem se renovado muito pouco", afirma Celi, avaliando que houve um envelhecimento do partido.Ferraz reforça a visão que há fraca renovação na cúpula partidária do PT na capital, lembrando que Pont já foi prefeito e tentava um segundo mandato, além de o atual ministro da Educação, Tarso Genro, ter sido eleito duas vezes em Porto Alegre. "Subitamente, o PT pareceu para nós, velho", afirma, destacando o fato de que esta impressão "súbita" não aparecia no começo da eleição. Além de Porto Alegre, aliados de Rigotto obtiveram vitórias nas duas cidades do Estado que tiveram segundo turno. Em Caxias do Sul, o peemedebista José Ivo Sartori derrotou Marisa Formolo (PT). Em Pelotas, Bernardo de Souza (PPS) venceu Fernando Marroni (PT). Além disso, em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, o tucano Marcos Ronchetti, correligionário do vice-governador Antônio Hohlfeldt, havia sido reeleito no primeiro turno, na disputa contra Marco Maia (PT).

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