Derrota de emenda de reeleição pode levar a crise na Câmara

A avaliação predominante no Planalto e até nos setores do PT que apoiaram a reeleição dos presidentes das Casas do Legislativo é a de que o embate amplia a crise política no Senado, e o ambiente negativo pode contaminar a Câmara. João Paulo insistiu no corpo-a-corpo com os parlamentares até o último minuto antes da votação. Além da reviravolta no PMDB, que chegou a ter maioria pró-reeleição e inverteu o placar nas últimas 72 horas, João Paulo foi surpreendido por um racha inesperado no PTB, que havia fechado apoio a ele. Na bancada ruralista, 23 deputados se rebelaram sob alegação de que o presidente do Senado estaria ´segurando´ projetos de interesse do setor para atender o deputado Sarney Filho (PV-MA), da bancada ambientalista. Renan Calheiros também montou seu "bunker" anti-reeleição no Senado e garantia a todos que haveria 250 votos contra a reeleição. João Paulo contestou os números do adversário, mas acusou o golpe. Queixou-se de que isto significava que os ministros do PMDB - Eunício Oliveira, das Comunicações, e Amir Lando, da Previdência Social - haviam entrado em campo para ajudar Renan, e levou sua reclamação ao conhecimento do presidente Lula. Esforço em vãoJoão Paulo se esforçou durante todo o dia de ontem para conquistar os votos dos deputados de todos os partidos. Só assumiu a presidência da sessão para permitir que o vice-presidente, Inocêncio Oliveira (PFL-PE), pudesse votar a favor da reeleição. Mas, no PMDB, apenas 15 deputados votaram a favor; 43 votaram contra, sete se abstiveram, e 13 não compareceram. No PT, 77 deputados votaram a favor, sete contra, e cinco não votaram. No PFL, 49 foram favoráveis à reeleição, oito votaram contra, e seis se ausentaram. No PSDB, 18 votaram a favor, 22 contra, e 11 não compareceram. Líderes do PMDB, do PTB e do governo sugeriram adiar a votação da PEC por falta de votos, mas João Paulo optou por correr o risco. Antes do início da votação, líderes petistas e auxiliares mais próximos do presidente Lula torciam pelo adiamento, o que evitaria o desgaste político do governo. "Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come", resumiu o deputado Luiz Eduardo Greenhalg (PT-SP), admitindo que o assunto foi "muito mal conduzido" pelo governo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.