Derrota de ACM não deve ameaçar Planalto

A eleição do líder do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), para a presidência do Senado, por 41 votos - justamente a maioria absoluta da Casa - representa uma derrota individual do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o enfraquecimento político do PFL, que passa o comando do Senado para o PMDB. Sem saída, o PFL tentou 24 horas antes da eleição uma saída "honrosa" por meio da "terceira via". Mas não conseguiu construir a maioria e seu candidato, Arlindo Porto (PTB-MG), obteve 28 votos. Da posição de segundo partido em importância na coalizão partidária que elegeu e reelegeu o presidente Fernando Henrique Cardoso, o PFL se enfraquece e perde poder político com a mudança na correlação de forças. E pode perder também a vaga de vice na chapa governista que disputará a sucessão presidencial em 2002. A ascensão de Jader significa o fortalecimento do PMDB, uma vez que o senador paraense é presidente e líder do partido. Ao mesmo tempo, sobe a cotação do ministro José Serra, da Saúde, como candidato da aliança PSDB/PMDB ao Palácio do Planalto. O tucano Serra é apontado como principal opção do PMDB numa composição futura com o PSDB. Enquanto ganha Serra, perde politicamente o governador Tasso Jereissati, do Ceará. Opositor de Barbalho, Tasso tem apoio declarado de ACM e do governador Mário Covas. A derrota de ACM e do PFL não compromete, porém, a maioria governista no Senado. A eleição de Jader Barbalho garante no Senado a continuidade de um aliado na direção do Congresso Nacional. E o PFL e oposições ficaram vigilantes para cobrar a fidelidade dos peemedebistas ao governo. Os conflitos entre os partidos de sustentação do governo que antecederam a eleição devem ser superados, sobretudo com a disposição do Palácio do Planalto de tentar recompor sua base e pacificar as relações. O PFL vai se reunir para analisar os fatos pré-eleitorais, fazer uma avaliação do seu papel no novo quadro político e definir como atuará rumo às eleições de 2002. Seus dirigentes avisam que qualquer decisão será tomada pela Executiva Nacional do partido. Apesar dos impulsos rumo à oposição, principalmente de partidários do deputado Inocêncio Oliveira (PFL-PE), o PFL não tem dado sinais objetivos de que terá um comportamento hostil ou oposicionista ao governo. Mas, isso não quer dizer, porém, que o senador Jader Barbalho não terá problemas para administrar a Casa, conhecida por atuar com certa parcimônia em relação ao governo. Somando os votos dados ao senador Arlindo Porto e ao candidato do bloco de oposição, Jefferson Peres (PDT-AM), 40 senadores votaram contra ele. A reconciliação de ACM e Jader parece remota e o senador baiano promete dar continuidade às denúncias contra Barbalho. A expectativa do governo, no entanto, é que depois do Carnaval o ritmo do Congresso entre nos eixos. As próximas duas semanas serão fundamentais para buscar o entendimento e superar os conflitos na base aliada. Dessa forma, o governo, na avaliação dos governistas, não teria motivos sérios para se preocupar com a perda da maioria no Congresso. E, justamente para melhorar sua imagem pública, Jader promete fazer uma administração austera.

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