Derrota da reeleição antecipa sucessão de João Paulo no PT

A derrota da proposta de emenda constitucional (PEC) da reeleição para os presidentes da Câmara e do Senado antecipa a disputa interna no PT para a sucessão do deputado João Paulo Cunha (SP), em 2005. Como maior partido da Câmara, o PT tem a prerrogativa de indicar o futuro presidente da Casa. O deputado Paulo Delgado (PT-MG) é um dos nomes fortes, pela experiência no Legislativo e por integrar o chamado grupo majoritário do PT. Outros nomes cogitados são do deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF) e de José Eduardo Cardozo (PT-SP). "O PT tem bons nomes e o importante é que tenham visão federalista e nacional mas será uma decisão partidária", afirmou Paulo Delgado, que fez ontem um discurso contundente contra a emenda da reeleição. Depois do resultado da votação, que dividiu os deputados praticamente ao meio, o deputado Sigmaringa Seixas foi escalado para refazer as relações que ficaram estremecidas entre João Paulo Cunha e os petistas que votaram contra. Em caso de a disputa interna no PT ser acirrada, a ponto de provocar consequências negativas entre o relacionamento do governo com o Congresso, não está afastada também a hipótese de o ministro-chefe do Gabinete Civil, José Dirceu, reassumir a sua cadeira de deputado e concorrer a Presidência da Câmara.A votação de ontem, na avaliação de deputados do PT, aponta como lição, o fato de que nenhuma emenda constitucional, que precisa de no mínimo de 308 votos, seja aprovada sem o apoio integral dos maiores partidos como o PMDB , PT,PFL e PTB. Como não havia consenso, os partidos não puderam fechar questão para a votação. O deputado João Paulo Cunha ainda tentou que a bancada do PT fechasse questão a favor da emenda. Mas o presidente do partido, José Genoino(SP), interveio afirmando que não era uma questão partidária. Além do PT, outros partidos como PSDB, PC do B, e PDT liberaram suas bancadas durante o encaminhamento da votação.Os deputados ficaram surpresos com o fato de João Paulo Cunha ter insistido na votação com o quórum de 436 votantes, já que era unânime a constatação de que a matéria somente teria chance de aprovação com o quórum acima de 460 deputados. Na avaliação de alguns deputados, João Paulo teve a "grandeza" de levar a proposta até o fim, discutindo-a amplamente, para testar a sua força política na Casa.

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