Gustavo Lima/ Ag. Câmara
Gustavo Lima/ Ag. Câmara

Deputados vão tentar derrubar proposta do voto impresso nesta sexta-feira

PEC é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, que ameaçou não haver eleição sem voto 'auditável'

Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2021 | 18h37

BRASÍLIA - A Comissão Especial da Câmara que analisa a proposta de voto impresso vai se reunir nesta sexta-feira, 16, com o objetivo de rejeitar o texto. A reunião foi articulada por um conjunto de 18 deputados titulares e um suplente do colegiado, todos resistentes à ideia de mudar o atual sistema da urna eletrônica.

Autor do requerimento que permitiu a reunião e titular do grupo que vai votar o texto, o deputado Hildo Rocha (MDB-MA) afirmou que os votos para rejeitar a ideia são maioria na comissão. "A maioria dos membros entende que não teremos tempo para implantar o voto impresso no ano que vem", disse Rocha ao Estadão.

Em reunião com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, partidos adversários da proposta de emenda à Constituição (PEC) concordaram em barrar sua aprovação. Depois de fechar questão contra a medida no encontro com Barroso, no fim de junho, dirigentes de 11 partidos substituíram integrantes favoráveis à proposta na comissão especial por parlamentares alinhados à orientação do comando das legendas.  

A PEC do voto impresso é uma das principais bandeiras políticas do presidente Jair Bolsonaro, que já deu declarações consideradas golpistas ao dizer que “ou fazemos eleições limpas ou não temos eleições”. A Comissão Especial da Câmara discute justamente um texto proposto pela deputada Bia Kicis (PSL-DF), aliada do presidente. Além disso, o colegiado tem Filipe Barros como relator e Paulo Eduardo Martins (PSC-PR) como presidente, ambos também apoiadores de Bolsonaro. 

O presidente afirma, seguidamente, que sem esse mecanismo as eleições serão fraudadas. Ele também repete, sem nunca ter apresentado qualquer prova, que teria vencido a eleição de 2018 já no primeiro turno e que o deputado Aécio Neves (PSDB) venceu a disputa de 2014, algo que o próprio tucano disse não acreditar.

Aécio é integrante titular da comissão que analisa o voto impresso e não assinou o requerimento de antecipação da reunião, mas já disse que a discussão sobre o assunto está "contaminada" pelas declarações de Bolsonaro.

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