Deputados vão de carro oficial a evento

Do lado de fora do estádio, deputados recebiam panfletos com foto da presidenciável petista Dilma Rousseff ao lado de deputada

Ana Bizzotto / SÃO PAULO - O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2010 | 00h03

Enquanto militantes das centrais sindicais chegavam em ônibus fretados à Praça Charles Miller para a Conclat, o Estado flagrou carros oficiais da Assembleia Legislativa de São Paulo parados no estacionamento da portaria 23 do Pacaembu, destinada ao acesso de políticos e da imprensa.

 

Deputado Roberto Felício (PT-SP) não vê restrição porque não era "evento de natureza eleitoral". Foto: Filipe Araujo/AE

 

O deputado estadual Roberto Felício (PT-SP), pré-candidato ao terceiro mandato na Assembleia, foi um dos parlamentares a usar o carro oficial para ir ao evento. “Estou aqui como deputado. Não é um evento de natureza eleitoral, se não eu não viria”, justificou. “Quando participei do lançamento da pré-candidatura do (Aloizio) Mercadante, como era uma atividade eleitoral, não usei o carro oficial. Mas aqui é uma atividade de natureza sindical, de movimento popular, e portanto não há nenhuma restrição e nenhuma razão para que eu evitasse o uso do carro.”

 

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Outro veículo oficial estacionado era o do deputado estadual Major Olímpio (PDT-SP), indicado pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, para ser candidato a vice na chapa de Aloizio Mercadante (PT) ao governo paulista. O deputado não foi localizado pela reportagem para comentar o assunto.

 

Panfleto. Além de informativos distribuídos pelas centrais sindicais, os participantes do evento receberam folhetos da deputada federal Janete Pietá (PT-SP), que participou do evento. Mulher do ex-prefeito de Guarulhos Elói Pietá, ela aparece em uma foto abraçada à petista Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência. Logo abaixo da imagem, o texto menciona “a perspectiva de ter pela primeira vez na história brasileira uma mulher dirigindo o País”.

 

“Não estou dizendo em nenhum momento que sou candidata ou que a Dilma é candidata. Não estou afirmando, estou falando da perspectiva de uma mulher dirigir o País, é uma perspectiva de um momento histórico. Isso não é crime eleitoral”, disse a deputada. “Não é campanha, ali é um documento político, uma prestação de contas do que estou fazendo. Se tivéssemos espaço na mídia para dizer tudo o que ocorre de positivo e negativo, não teria necessidade de reproduzir esses nossos pequenos jornais meio panfletários.”

 

Alienação. Em um evento dedicado ao movimento sindical e à “consolidação da unidade dos trabalhadores”, alguns participantes, uniformizados com camisetas e bonés das centrais, não faziam ideia do que era o evento ou pouco se importavam com o seu propósito. Moradora de Santo Amaro, na zona sul, a faxineira Gislene da Silva, de 30 anos, não soube responder sobre do que se tratava a conferência. “Nem prestei atenção. Sei que tinha um monte de prefeito”, disse Gislene, que levou para casa os pacotes de lanche.

 

Pela primeira vez em São Paulo, a merendeira Lindinalva Correa, de 55 anos, moradora de Aracaju, estava feliz com a oportunidade de rever a filha, que se mudou para a capital paulista há três anos. “Vim mais pelo passeio. Para mim foi a melhor coisa do mundo sair de casa um pouco”, disse Lindinalva. Segundo ela, a viagem de três dias e a alimentação foram pagas pela Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, que também lhe deu R$ 60 pela participação.

 

Já o frentista desempregado Leandro Francisco, de 29 anos, foi ao encontro para acompanhar a mulher. Mas saiu antes do final para visitar o Museu do Futebol. “Já que estou aqui, vou aproveitar para conhecer.”

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