Deputados vão a Havana visitar cubanos deportados

Para Jungmann, é preciso averiguar se atletas estão sofrendo represálias

Denise Madueño, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2006 | 00h00

Um grupo de deputados brasileiros deverá viajar a Havana para verificar como estão os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara - que desertaram durante os Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, em julho, e depois foram localizados e deportados para Cuba. O requerimento com a proposta de visita aos atletas foi aprovado ontem na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara.De acordo com o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), autor do requerimento, é importante averiguar se eles estão sofrendo algum tipo de represália das autoridades cubanas. "Uma série de procedimentos não foi cumprida na deportação, que permanece nebulosa e com pontos obscuros", disse.Pela previsão do deputado, os parlamentares devem viajar para a capital cubana ainda no decorrer deste mês. A comissão deverá ser composta por três deputados: um representando os partidos da base de apoio ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outro da oposição, além do presidente da comissão, o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS). O episódio da deportação dos dois boxeadores, ocorrido no dia 4 de agosto, num vôo fretado pelo governo cubano, provocou severas críticas da oposição ao governo. Na opinião do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), Lula teria cedido às pressões de Cuba e despachado os atletas de volta num processo que chamou de açodado e autoritário.Heráclito, que preside a Comissão de Relações Exteriores de Defesa Nacional do Senado, também disse que o governo teria posto a Polícia Federal e seu aparato de segurança a serviço do governo cubano, que tentava evitar a fuga de seus atletas.Ao falar sobre o episódio perante a comissão do Senado, o ministro da Justiça, Tarso Genro, negou as acusações. Disse que a PF agiu dentro da legalidade durante a operação desencadeada para localizar os atletas - encontrados no dia 2 de agosto, em uma praia de Araruama, no litoral fluminense.Segundo o relato do ministro, os pugilistas tiveram assistência jurídica, com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público. Os dois teriam rejeitado todas as ofertas de refúgio e manifestado desejo de voltar para Cuba.Para reforçar seus argumentos, Tarso lembrou que outros três cubanos que também desertaram e pediram asilo continuam no Brasil, livremente.

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