Deputados trocam socos com seguranças; STF abre sessão

Houve tentativa de impedir entrada no plenário do Senado e parlamentares reagiram

Denise Madueño, Christiane Samarco e Felipe Recondo, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2013 | 00h00

Brasília - Pugilismo entre deputados e seguranças, tapa na cara, luta corporal, xingamentos - tudo transmitido ao vivo por emissoras de rádio e TV. Foi assim que começou o julgamento de Renan Calheiros, diante da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que garantiu a presença de deputados na sessão secreta em que o plenário votou o pedido de cassação do mandato do senador.Os deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ) entraram em confronto direto com seguranças quando tentaram entrar no plenário, depois do sinal verde do presidente da sessão, senador Tião Viana (PT-AC). O aparato policial do Senado atuou como uma tropa de choque do presidente Renan. Literalmente.Um dos seguranças, enquanto trocava sopapos com Jungmann, deixou uma arma cair no chão a poucos metros da entrada do plenário. A arma de choque não letal, uma Taser, gera uma descarga de 50 mil volts, derrubando o alvo. Segundo os seguranças, não houve intenção de atirar no deputado. Se tivesse sido atingido, no entanto, Jungmann teria caído, sofrido um pequeno desmaio, perdido a coordenação motora e a força física por alguns instantes, tempo suficiente para ser imobilizado. Não foi. Dedo em riste e aos palavrões, avançou sobre o segurança. "Em 180 anos (do Parlamento), isso jamais aconteceu."No meio da confusão, Gabeira, fisicamente mais franzino do que o colega pernambucano, foi jogado contra a porta de vidro que dá acesso ao plenário. Na tentativa de se defender, aos safanões, acabou atingindo o rosto do senador Tião Viana. "Inadvertidamente, dei um soco no presidente Tião, mas já nos beijamos", contou mais tarde o próprio Gabeira, que se desculpou com o petista - e foi perdoado.STFO empurra-empurra fez a deputada Luciana Genro (PSOL-RS) perder o cartaz que pretendia exibir no plenário em sinal de protesto. "Sessão secreta é a negação do parlamento" era a frase escrita na cartolina ,que sumiu depois que ela levou um chute que lhe cortou o calcanhar. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) considerou o fato "inaceitável" e cobrou providências de Tião.Na terça-feira, 13 deputados ajuizaram no STF um pedido de liminar para que pudessem assistir à sessão secreta, concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski na madrugada de ontem. Tião Viana protestou e ordenou que os advogados da Casa ajuizassem novo mandado de segurança na tentativa de impedir a presença.Para evitar que o tribunal tivesse duas decisões distintas, Lewandowski pediu aos demais ministros que analisassem o caso em caráter de urgência na sessão plenária. Seis votaram pela concessão da liminar: Cármen Lúcia, Carlos Britto, Marco Aurélio, Celso de Mello, Ellen Gracie e Lewandowski. Britto e Marco Aurélio defenderam que a sessão fosse aberta a todos, não só aos deputados.Quatro ministros - Carlos Alberto Direito, Joaquim Barbosa, Cezar Peluso e Gilmar Mendes - votaram pela cassação da liminar. "O Senado tem de assumir a responsabilidade sobre como deve ser a sessão e arcar com as conseqüências", disse Peluso. Não há data definida para o julgamento do mérito da ação - que definirá se deputados poderão acompanhar todas as reuniões secretas do Senado e se as sessões para decidir a cassação de mandatos de senadores devem passar a ser públicas.

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