Deputados trocam ofensas no plenário

'Vagabundo' e 'fdp' foram alguns dos palavrões usados na discussão entre o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o deputado Sebastião Bala Rocha (SDD-AP)

Daiene Cardoso e Ricardo Della Coletta , Agência Estado

05 Dezembro 2013 | 14h29

Brasília - O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o deputado Sebastião Bala Rocha (SDD-AP) protagonizaram na manhã desta quinta-feira, 5, uma ferrenha discussão com direito a palavrões e troca de acusações no plenário da Casa. 'Vagabundo' e 'fdp' foram algumas das ofensas ditas no bate-boca.

Os parlamentares votavam um acordo entre os governos brasileiro e francês para aumentar a fiscalização imigratória entre Brasil e Guiana Francesa e combater a exploração ilegal de ouro no país vizinho. O desentendimento começou após o petista mencionar que um acordo havia sido selado na quarta com o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República) para a votação da proposta.

"Houve uma reunião ontem, a deputada Dalva (Figueiredo), da bancada do PT, me relatava, em que o ministro Gilberto Carvalho acatou a ponderação - e nem podia ser diferente - daquilo que foi trabalhado na linha da reciprocidade, e a reciprocidade se dará de uma das duas maneiras: ou a França dá o tratamento que atualmente o Brasil dá aos cidadãos franceses adentrarem o Brasil, ou se não o fizer, nós faremos como fizemos com a Espanha, com os cidadãos espanhóis: o ministro veio aqui, se comprometeu e assim foi feito", disse Chinaglia.

Alguns parlamentares entenderam que Chinaglia havia confundido que o encontro aconteceu com a bancada petista e não com os deputados do Amapá. "A reunião do ministro Gilberto Carvalho foi com a bancada do Amapá, não do PT apenas", interferiu o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

"Eu não disse que a reunião foi apenas com a deputada Dalva. Eu disse que ela me informou. É só pegar a degravação, até porque eu tenho o direito de escolher os exemplos que eu quiser", respondeu o líder.

Chinaglia então insinuou que parlamentares de outras bancadas estavam tentando se "apoderar" do resultado do trabalho coletivo. O deputado e ex-senador do Amapá, que foi relator da matéria na Comissão de Relações Exteriores da Casa, reagiu: "Não estou me apoderando de nada, estou relatando esse projeto há quatro anos e meio. Eu conheço a matéria e agi com responsabilidade esse tempo todo", retrucou.

O debate esquentou e Chinaglia subiu o tom. "Só tenho a dizer uma coisa a Vossa Excelência: graças à minha formação, eu nunca fui algemado na minha vida", provocou o petista, referindo-se à prisão do deputado em 2004.

"Eu fui injustiçado, seu p.., seu fdp...", gritou Bala Rocha no microfone. "Daqui para a frente, eu vou obstruir todas as votações nesta Casa até que este líder vagabundo do governo peça desculpas para mim", emendou o parlamentar do Amapá, que foi preso quando ainda era do PDT. Ele responde no Supremo por crimes como formação de quadrilha, prevaricação, corrupção passiva e crime contra a lei de licitações. "Já fui praticamente absolvido do crime de quadrilha pelo próprio MP e estou me defendendo no Supremo (Tribunal Federal). Estou seguro que sou inocente. Ele (Chinaglia), de maneira arrogante, mencionou esse episódio", protestou.

Após a discussão, Chinaglia afirmou a jornalistas que ainda não se decidiu se adotaria algum tipo de queixa formal por conta das palavras usadas por Bala Rocha, mas disse que "tende a perdoar". "É só assistir o vídeo (da sessão) e ver onde estava o nível de cada um. Não quero ficar alimentando esse tipo de debate; quem baixou o nível foi ele", disse.

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