Deputados suspeitos negam liberação de verba ao PAC

João Magalhães e Ademir Camilo são acusados de integrar esquema descoberto pela Operação João de Barros

EUGÊNIA LOPES E VANNILDO MENDES, Agencia Estado

20 de junho de 2008 | 18h56

Os deputados João Magalhães (PMDB-MG) e Ademir Camilo (PDT-MG) afirmaram nesta sexta-feira, 20 que não têm emendas no Orçamento Geral da União nem liberaram recursos para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os dois são suspeitos de integrar um esquema de desvio de verbas de obras do PAC em sete Estados, em operação deflagrada nesta sexta-feira pela Polícia Federal, chamada de Operação João de Barro. "Quem libera as verbas para o PAC é o governo federal, é a Casa Civil. A liberação dessas verbas não tem interferência política. Os deputados não participam em nenhum momento dessa liberação", se defendeu Magalhães. "Todos sabem que quem libera recursos do PAC é a Casa Civil", repetiu Ademir Camilo.    Veja também: As ações da Polícia Federal no governo Lula O balanço do PACTanto ele quanto Magalhães argumentaram não saber do que são acusados porque ainda não tiveram acesso ao inquérito da Polícia Federal. Eles afirmaram não saber explicar os motivos de a Polícia Federal trabalhar com a hipótese de indiciá-los em três tipos de crime: corrupção, tráfico de influência e concussão. A PF suspeita que os dois tenham cobrado propina de 10% para liberar verbas para obras em municípios mineiros. "Não sei de onde saíram essas acusações. Tenho muito adversários no interior e, em vez deles ficarem trabalhando, ficam denunciando", disse João Magalhães. "Eu e o deputado João Magalhães somos das regiões mais pobres de Minas e isso faz com que a gente corra atrás e faça ofícios para ministérios pedindo verbas", explicou Ademir Camilo, que está em seu segundo mandato de deputado federal. Os dois reclamaram também da ação da Polícia Federal que fez a busca e apreensão de computadores e ofícios em seus gabinetes na Câmara sem dizer do que estão sendo acusados. "A gente fica ansioso porque não sabe o teor do que estão nos acusando", afirmou Camilo. Ele e Magalhães ressaltaram que a liberação de recursos do PAC segue critérios técnicos e é totalmente acompanhada pela Caixa Econômica Federal (CEF). Os dois afirmaram ainda que as emendas individuais que apresentaram para municípios mineiros não contemplam obras do PAC. Outro lado Os representantes de 32 pessoas em Minas Gerais que integram a lista da Polícia Federal de prisões decretadas  foram procurados pelo Estado nesta sexta. A prefeitura de Governador Valadares confirmou que três funcionários públicos lotados no Executivo municipal foram presos preventivamente: Patricy Carneiro Desmotes; Evaldo Gomes de Figueiredo Júnior e Fernando Antônio Pinto. Eles seriam donos de uma empresa que captava serviços para prefeituras da região. Seus advogados não foram localizados.  A assessoria da prefeitura da cidade mineira prometeu divulgar uma nota oficial sobre a operação da PF quando terminasse a diligência dos agentes federais - que continuava até o final da tarde.  Um filho do empresário Paulo Roberto Miranda Soares, em Valadares, afirmou que ele foi convidado a colaborar com a PF, mas não confirmou sua prisão. Ele disse que o advogado do empresário estava colhendo informações sobre o inquérito. Outro empresário da cidade, Adair Pereira Barbosa, foi procurado em três endereços comerciais. Em um deles, um funcionário se recusou a dar informações ou indicar seu advogado.Em Belo Horizonte, uma mulher que se identificou como esposa do empresário Ricardo Motta dos Santos disse que não tinha informações sobre a situação do marido e não sabia se ele já havia constituído advogado. A reportagem não conseguiu localizar os telefones ou endereços de 19 suspeitos. Somente na capital, o número do telefone de 13 pessoas não consta na lista telefônica.Na prefeitura de Teófilo Otoni ninguém foi encontrado para falar. Um funcionário público da cidade, citado na lista da PF, não foi localizado. (Eduardo Kattah e Daniela Nahass, especial para o Estado)

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