Deputados que vão concorrer ampliam gastos

Em SP, grupo usou R$ 1.400 a mais que o dos não-candidatos

Silvia Amorim e Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

09 de abril de 2008 | 00h00

Os deputados estaduais de São Paulo que pretendem disputar um cargo de prefeito este ano começaram 2008 gastando mais do que seus colegas de Legislativo que não serão candidatos. É o que mostra o balanço de despesas com verba de gabinete apresentado pelos parlamentares à Assembléia Legislativa em janeiro e fevereiro.Os deputados prefeituráveis gastaram juntos R$ 743.705,93 neste início de ano eleitoral, uma média de R$ 26.560 por parlamentar. Entre os que não estão de olho nas urnas, o dispêndio médio foi cerca de R$ 1.400 menor (R$ 25.231). O levantamento foi feito pelo Estado com base na prestação de contas divulgada pelo site do Legislativo paulista. Os dados foram colhidos em 31 de março.Há 28 deputados estaduais cotados para disputar as eleições municipais no Estado - 29% dos 94 parlamentares. Por lei, eles podem fazer campanha sem deixar o mandato no Legislativo. Na última eleição municipal, em 2004, cinco deputados trocaram a Assembléia por uma cadeira de prefeito.Por ano, cada deputado tem direito a gastar R$ 216 mil a título de verba indenizatória - também conhecida por verba de gabinete. O parlamentar faz o gasto, apresenta o comprovante e é reembolsado. Nos dois primeiros meses de 2008, os deputados pediram R$ 2,4 milhões em reembolso. Isso representa quase duas vezes a folha de pagamento dos deputados, que é de R$ 1,3 milhão mensais.IMAGEMChama a atenção o desempenho dos prefeituráveis em um determinado tipo de despesa: as diretamente ligadas à divulgação da imagem do parlamentar. Enquanto os colegas que não vão subir no palanque consumiram no primeiro bimestre R$ 10.058, em média, com impressão de material gráfico, envio de correspondência e serviços de consultoria/pesquisa, o grupo dos pré-candidatos gastou 22% a mais (R$ 12.877).Nesses três itens, os campeões de gastos são todos cotados para disputar uma cadeira de prefeito em outubro. Aloísio Vieira (PDT), ex-prefeito de Lorena e pré-candidato ao cargo novamente, é o recordista nos gastos com envio de correspondências - R$ 18 mil no bimestre, valor superior ao vencimento de deputado, de R$ 14.634. Vieira deixou a Assembléia em março, com o retorno do deputado que substituía. Quem mais gastou com impressão de material gráfico - de panfletos a cópias de documentos - foi Alex Manente (PPS), cotado para disputar a Prefeitura de São Bernardo. Em pesquisas e consultorias, Uebe Rezeck (PMDB), pré-candidato em Barretos, lidera com R$ 17.850. Somando todos os itens de despesa - combustível, alimentação, diárias, telefone, internet, entre outros - , dois deputados foram os mais gastões nesse início de ano, com a marca de R$ 37.200: Orlando Morando, cotado para ser o candidato do PSDB em São Bernardo, e Edson Ferrarini (PTB), que não será candidato em 2008. Eles são seguidos por outros seis deputados, que também gastaram na faixa dos R$ 37 mil.

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