Deputados poderão votar pacote anticorrupção sem se identificar

Requerimento de votação nominal foi rejeitado pelo plenário da Câmara; partidos como PSOL, Rede, PHS protestaram

Daiene Cardoso e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2016 | 14h03

BRASÍLIA - O plenário da Câmara dos Deputados rejeitou, no início da tarde desta quinta-feira, 24, em votação simbólica, um requerimento para votações nominais no pacote das medidas de combate à corrupção aprovado nesta madrugada na comissão especial. Essa decisão permite que os deputados votem, sem deixarem suas “digitais”, uma emenda ao pacote de medidas de combate à corrupção que, ao invés de reforçar a atuação dos crimes, fará justamente o contrário: blindar parlamentares e outros políticos de eventuais punições por terem recebido recursos não contabilizados.

Partidos como PSOL, Rede, PHS protestaram, pediram verificação da votação (o que significa voto no painel eletrônico), mas o pedido não foi atendido. O PDT, que inicialmente apoiava o pedido de verificação, retirou o apoio. Como a sessão extraordinária da manhã foi encerrada às 14h e uma nova sessão foi aberta logo em seguida, todo o arsenal de obstrução de quem se opõe à anistia poderá ser usado novamente. Eles tentarão garantir votação nominal ou adiar a votação, por exemplo.

Durante a sessão da manhã, líderes partidários da Câmara mudaram a orientação de voto original para suas bancadas a fim de impedir a votação nominal do pacote anticorrupção. Os líderes deixaram às pressas, a reunião que ocorria na presidência da Casa, para reorientar suas bancadas a votar contra o pedido do PSOL. PT, PSB, PSDB, PSD e os demais grandes partidos foram mudando a orientação. 

A anistia ao caixa 2, por exemplo, impediria enquadrar parlamentares criminalmente por corrupção e lavagem de dinheiro, base das imputações penais feitas pela Operação Lava Jato.

Essa ação, com o aval da cúpula da Câmara e do Senado, ocorre às vésperas da conclusão do acordo de delação premiada da Odebrecht, que deve envolver mais de 100 políticos de partidos da base, como PMDB, PSDB e DEM, e da oposição, como o PT. / COLABOROU RICARDO BRITO

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