Deputados petistas vão apresentar "festival de emendas"

No mínimo dez deputados do PT vão apresentar hoje um "festival de emendas" à proposta de reforma da Previdência do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Os parlamentares, da chamada esquerda petista, querem suprimir do texto a taxação dos servidores públicos inativos e aumentar o teto de aposentadoria da iniciativa privada para R$ 4,8 mil - o dobro do valor proposto pelo governo, com reajuste anual. Mais: pedem a concessão de benefício mensal de um salário mínimo para mulheres com mais de 60 anos e homens a partir de 65. "Queremos abrir o debate sobre a reforma da Previdência e vamos trabalhar para isso", afirmou a deputada Francisca Trindade (PT-PI), uma das parlamentares que assinam o pacote de emendas. O time petista acha até possível aceitar a cobrança previdenciária de 11% para os funcionários públicos aposentados, mas não no patamar proposto pelo governo, ou seja, a partir de R$ 1.058. "Não podemos votar esse projeto do jeito que está, de jeito nenhum", observou. O deputado Chico Alencar (PT-RJ) disse que o limite de isenção aceitável para a taxação é de, no mínimo, R$ 2,4 mil. "Um valor abaixo disso é muito injusto", comentou. Alencar e seu colega Ivan Valente (PT-SP) criticaram o cálculo do benefício pela média dos 35 anos de contribuição. "Esse critério é perverso", criticou Alencar. Um grupo de petistas vai apresentar emenda para corrigir o que chama de "distorção". A deputada Luci Choinacki (SC), por exemplo, sustenta que cinco anos é tempo suficiente para definir a média e, portanto, o valor das aposentadorias. Alencar e Valente, por sua vez, vão apresentar uma emenda que mantém a integralidade do benefício para quem tiver 10 anos no cargo e 15 anos no serviço público. Dos 92 deputados que compõem a bancada do PT, pelo menos nove querem que o teto salarial do funcionalismo seja fixado em R$ 12,7 mil - valor equivalente ao vencimento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e não em R$ 17, 1 mil, como sugeriu o governo, uma vez que a proposta do Planalto inclui gratificações. O "festival de emendas" mostra que não são apenas os mais radicais que prometem dar dor de cabeça ao governo. "Não podemos votar contra nossa história e queremos negociar", resumiu Francisca Trindade. Todas as propostas para modificar o texto do Executivo serão apresentadas ao coordenador da comissão de sistematização da bancada petista, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). "Por enquanto, não há problema", observou o vice-líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP). Em outras palavras: haverá um "filtro", na comissão formada pela bancada, para selecionar as emendas. "Mas não aceitaremos vetos", avisou Ivan Valente.

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