Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Deputados petistas avaliam como 'natural' pedido de Cardozo para sair do cargo

Para Wadih Damous, mudança é 'necessária', uma vez que ministro já havia manifestado vontade de deixar a função

Igor Gadelha e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2016 | 17h38

BRASÍLIA - Deputados federais do PT minimizaram a saída de José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça, oficializada nesta segunda-feira, 29, pelo Palácio do Planalto. Para petistas, é "natural" que o ministro tenha pedido para deixar o cargo, após quase seis anos na função que lhe rendeu um "desgaste natural".

Como mostrou o Estado no domingo, Cardozo teria decidido deixar o governo após sofrer pressão por parte de uma ala do PT. A pressão se intensificou nos últimos dias após rumores de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria alvo de quebra de sigilos bancário, telefônico e fiscal no âmbito da Operação Lava Jato.

"Ele já vinha manifestando vontade de sair. Isso é natural, já que estava lá há muito tempo (desde 2011)", avaliou Wadih Damous (PT-RJ), um dos petistas apontado por fazer pressão pela saída de Cardozo nos bastidores. "É uma mudança necessária, na medida em que ele estava querendo sair", emendou o deputado.

Para Damous, a saída de Cardozo não deve prejudicar o andamento da Operação Lava Jato pois, segundo ele, não há nada que o ministro da Justiça possa fazer para conter investigações feitas pelo Judiciário. O deputado afirmou não conhecer o novo ministro da Justiça, Wellington César, mas disse ter ouvido "elogios" de juristas ao novo chefe da Pasta.

Damous ainda negou que tenha havido por parte dele um movimento articulado de pressão para saída de Cardozo. "Se fizeram, fizeram sem meu conhecimento", alegou. O parlamentar ponderou, contudo, que "todo homem público está sujeito a críticas e elogios". "Eu pessoalmente acho ele um bom ministro", afirmou o deputado.

"O ministro entendeu que fechou um ciclo. Tem um desgaste natural, mas ele cumpriu bem sua função e suas atribuições", afirmou o deputado federal Leo de Brito (PT-AC). Para o parlamentar, como Cardozo irá para a Advocacia Geral da União (AGU) no lugar de Luís Inácio Adams, não deve haver "prejuízo" para governo.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Afonso Florence (BA), por sua vez, minimizou a insatisfação de seus correligionários com o ex-ministro da Justiça. "José Eduardo respeitou a autonomia da Polícia Federal. O ministro da Justiça vinha exercendo suas atribuições de forma republicana", afirmou Florence. Questionado se a dança das cadeiras oficializada pelo Planalto nesta segunda-feira satisfazia os parlamentares petistas, ele negou pressão. "A bancada não tem que se sentir contemplada, agraciada", disse o líder.

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