Deputados mineiros lamentam redução salarial

A decisão da presidência da Assembléia Legislativa de Minas, de reduzir os salários dos 77 parlamentares estaduais, de até R$ 90 mil para cerca de R$ 18,9 mil, depois de quase 20 dias de pressões da opinião pública, transformou o plenário da Casa em uma espécie de muro de lamentações. Diversos deputados fizeram pronunciamentos queixando-se da diminuição dos ganhos, compostos por R$ 6 mil fixos e de uma série de verbas extras para a chamada "manutenção de mandato". "Não vai haver dinheiro para atender a diferentes solicitações de ajuda a entidades filantrópicas", disse o deputado Amílcar Martins (PSDB). "O meu eleitor é um eleitor pobre, que precisa da cadeira de rodas, de uma ajuda, da cesta básica", ressaltou o pededista Alencar da Silveira Júnior, que fez um discurso indignado no plenário, condenando a redução dos salários.Os parlamentares se referiam, em suas reclamações, principalmente aos recursos incorporados aos vencimentos e que , teoricamente, destinam a suas bases eleitorais, nas quais procuram garantir a fidelidade de eleitores, como admitiu o próprio Silveira Júnior. "Se a gente ficar aqui dentro fiscalizando e legislando, perde a eleição", afirmou o deputado. De acordo com a Assembléia, embora o projeto que corta o menor salário de deputado da Casa para menos de um terço do atual ainda precise ser votado em plenário, isso deve acontecer nos próximos dias. O novo valor, que corresponde a 75% do que ganha um parlamentar federal, como manda a Constituição, já deve ser pago em setembro. "Essa determinação do presidente da casa já foi conversada com todos os deputados, e o projeto de Lei será votado sem dificuldades", afirmou o secretário do Legislativo estadual, Mauri Torres. Com a diminuição dos vencimentos dos parlamentares, a economia no orçamento anual da Assembléia será de pouco mais de R$ 40 milhões: o gasto cairá de R$ 60 milhões para aproximadamente R$ 19,25 milhões.

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