Renato Onofre/Estadão
Renato Onofre/Estadão

Deputados 'madrugam' na fila para audiência de Moro na Câmara

Ministro será ouvido por deputados para tratar do vazamento de mensagens que sugerem que ele teria agido em conjunto com o MPF nos processos da Lava Jato

Renato Onofre, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 11h10

BRASÍLIA - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, vai ser ouvido nesta terça-feira, 2, por quatro comissões da Câmara dos Deputados sobre as supostas conversas divulgadas pelo site The Intercept no período em que ele ainda julgava os casos da Operação Lava Jato. Parlamentares tanto da oposição quanto da situação "madrugaram" na porta do Plenário para garantir o nome entre os primeiros a questionar Moro.

A situação acirrou os ânimos entre governistas e opositores antes mesmo do início da sessão. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Felipe Francischini (PSL-PR), quis cancelar a pré-lista feita pelos primeiros parlamentares que chegaram para audiência. “Eu quero garantir que não seja um massacre”, argumentou Francischini a alguns deputados do PSL defensores da pré-lista.

A manobra evitaria que Moro ficasse sujeito a uma sequência de perguntas de deputados de partidos como PT, PSOL e PCdoB, que são maioria na pré-lista. Dos 100 primeiros inscritos no documento informal, cerca de 70 parlamentares são da oposição.

O primeiro a chegar na Câmara foi o Coronel Armando (PSL-SC) que está na fila desde às 8h10, quase seis horas antes do início da audiência previsto para as 14h. Entre os oposicionistas, a primeira parlamentar a garantir o seu lugar foi Maria do Rosário (PT-RS), que chegou um pouco depois do deputado do PSL.

O ministro será ouvido por deputados de quatro colegiados: Constituição e Justiça, Trabalho, Direitos Humanos e Fiscalização Financeira e Controle. O ex-juiz havia marcado o depoimento para a última quarta, mas declinou da audiência justificando ter uma viagem marcada para os Estados Unidos. Por uma questão de agenda, as sessões foram marcadas conjuntamente. 

O ministro Sérgio Moro será o primeiro a falar. Inicialmente, ele terá 20 minutos para uma exposição. Logo em seguida, o presidente da CCJ inicia a lista de inscritos. Cada deputado terá o direito a falar por três minutos. Líderes também poderão se inscrever a qualquer momento e o tempo será proporcional à representação do partido, de três a dez minutos. Em cada bloco de perguntas falam três deputados e um líder. Moro terá sete minutos para responder.

O vazamento de mensagens atribuídas a Moro sugere que o ministro teria agido em conjunto com o Ministério Público Federal em processos da Operação Lava Jato. Moro e a força tarefa da Lava Jato negam.

É a segunda vez em 15 dias que o ministro comparece ao Congresso. Na última vez que falou a senadores no último dia 19, em uma audiência na Casa.

 

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