Deputados listados pela PF podem não participar de triagem

O deputado José Thomaz Nonô (PFL-AL), vice-presidente da Câmara, disse que a participação de integrantes da Mesa que estão citados na lista da Polícia Federal sobre fraudes nas emendas com ambulâncias, na reunião desta quarta-feira, será uma decisão de caráter pessoal. A reunião vai separar os deputados que serão excluídos do processo, porque foram apenas citados, e os que deverão ter seus nomes encaminhados a uma comissão de sindicância.A PF mandou uma lista com 63 nomes de deputados e do deputado cassado Ronivon Santiago (PP-AC), citados nas investigações que resultaram na Operação Sanguessuga, na qual a PF prendeu 48 pessoas entre ex-deputados, assessores parlamentares, empresários e servidores do governo federal na semana passada. Nonô citou, no entanto, o regimento interno que prevê que o deputado que tenha interesse pessoal em alguma questão se declare impedido de votar a matéria. "Cada um deve fazer o seu juízo pessoal", afirmou.O terceiro secretário, deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), já declarou que não participará da reunião da Mesa quando o assunto for a Operação Sanguessuga. O deputado teve o seu nome citado na lista da PF. Além de Gomes, o primeiro secretário, Nilton Capixaba (PTB-RO), e o quarto-secretário, João Caldas (PL-AL), também estão na lista da PF.Nonô considerou "temerário" o ofício encaminhado à Câmara pelo delegado que investigou o desvio de dinheiro do Orçamento para a compra superfaturada de ambulâncias com o suposto envolvimento de deputados. A lista, segundo a própria PF, incluiu o nome de todos os parlamentares citados de alguma forma nos diálogos gravados com autorização judicial das conversas por telefone entre os empresários considerados pela polícia como os chefes do esquema. Segundo o próprio documento encaminhado pela PF, os nomes citados não estão necessariamente envolvidos nas irregularidades investigadas. "Temos de ter cautela. Os processos globais tendem a cometer injustiças", afirmou Nonô.A assessoria jurídica da Corregedoria da Câmara está fazendo uma triagem dos 64 nomes incluídos na lista da PF. Os assessores estão analisando o que há contra cada um dos citados. Os que foram apenas citados nas conversas devem ser excluídos do processo. Os deputados que conversaram com os empresários ou contra os quais há indícios de envolvimento com a quadrilha serão analisados por uma comissão de sindicância ligada ao corregedor, Ciro Nogueira (PP-PI).

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