EFE/Stephanie Lecocq
EFE/Stephanie Lecocq

Deputados europeus se dizem 'preocupados' com rumores de interferência militar no Brasil

Segunda maior força no Parlamento Europeu, Aliança Socialista e Democrata alertou sobre risco de politização do sistema judiciário e fez defesa de Lula

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

04 Abril 2018 | 15h41

GENEBRA - Deputados europeus afirmam estar “preocupados” com “rumores de uma intervenção militar” no Brasil e emitem uma nota em que pedem que a Justiça não seja politizada. Os comentários foram feitos pela Aliança Socialista e Democrata (S&D), um grupo de partidos que representa a segunda maior força no Parlamento Europeu e com 198 deputados de 28 países. 

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Em nome do grupo, o presidente da S&D, Udo Bullmann, soou o alerta em relação aos acontecimentos no Brasil. “Tem sido um processo muito polêmico”, disso. “Estamos preocupados com a possível politização do sistema judiciário no Brasil e rumores sobre uma interferência dos militares”, declarou o alemão, membro do SPD, o Partido Socialista alemão. 

“É crucial garantir que a implementação do estado de direito no Brasil seja clara, transparente e capaz de permitir que o povo brasileiro tenha o direito de fazer suas escolhas democráticas sem qualquer limitação inconstitucional”, disse. 

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“Como uma grande nação democrática, a transparência em todo esse processo é essencial. Não apenas para o futuro do próprio Brasil, mas também para uma relação fortalecida entre o Brasil e a União Europeia”, afirmou o deputado. 

O comunicado também sai em defesa explícita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele foi um presidente muito bom para o Brasil. Seus programas sociais beneficiaram dezenas de milhares de brasileiros e é por isso que ele é ainda tão popular entre os brasileiros”, disse. 

“Ele lutou de forma decisiva contra a fome, pobreza e discriminação, assim como reduziu o impacto impacto da desigualdade social”, insistiu o deputado. “Essa luta é para que uma sociedade justa possa continuar”, afirmou. 

“Estamos muito preocupados que uma alternativa progressista seja excluída do processo democrático, baseada em uma atmosfera politizada”, completou o presidente do grupo. 

No mês passado, um outro grupo de parlamentares europeus liderados pelo Podemos já havia criticado a Justiça no Brasil, diante da morte da vereadora carioca Marielle Franco. Naquele momento, os deputados pediam a suspensão dos acordos comerciais entre Brasil e a Europa.

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