Deputados do PSB se dizem surpresos com fusão

Parlamentares acreditam que partido será 'satélite' do PSDB

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

29 Abril 2015 | 19h04

BRASÍLIA- Deputados do PSB contrários à fusão com o PPS fizeram questão de não comparecer ao anúncio oficial do início do processo que transformará as siglas em um único partido. Parlamentares afirmaram ao Broadcast Político que só foram informados sobre a fusão na véspera e não foram ouvidos pela Executiva do PSB. O temor é que a fusão aproxime o PSB dos tucanos. "O PSB caminha para ser satélite do PSDB", reclamou o deputado Glauber Braga (PSB-RJ). 

Chamados de "governistas", os parlamentares rechaçam a união com o PPS por considerar que a sigla faz uma oposição "raivosa". "Tem de ser uma oposição que racionalize e não uma oposição por oposição", critica o deputado Bebeto Galvão (PSB-BA). 

O processo de aproximação entre PSB e PPS começou na eleição presidencial, quando as siglas se juntaram para lançar a candidatura de Eduardo Campos. Após a campanha, discutiu-se a criação de uma frente entre PPS, PSB e Solidariedade para uma aliança com objetivo de disputar as eleições municipais, mas esse movimentou não prosperou. 

A discussão sobre fusão surpreendeu ontem a bancada do PSB. "É o casamento da cobra com o jacaré", classificou Bebeto. 

Satélite do PSDB. Os parlamentares dizem que, se a fusão for confirmada, se consolidará a posição de alinhamento com o PSDB para as eleições presidenciais de 2018, o que contradiz o discurso do partido que, ao deixar a base governista, dizia não aceitar a pecha de "satélite" do PT.

Eles reclamam que essa costura foi articulada pelo vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB). "Esse passo de trazer o PPS para dentro do partido fortalece a aliança com o PSDB para 2018", prevê Glauber. 

Os deputados contam que dos 19 participantes da reunião com o líder Fernando Bezerra Filho (PE), pelo menos 10 avisaram que não aceitarão a fusão porque ela seria "incoerente". Eles reclamam que foram "tratorados" pela Executiva do PSB. "Tenho reservas em relação a essa fusão porque temos programas distintos, visões de mundo e de Estado, de projeto para o País, diferenciado", explicou Bebeto. "Como conviver com essas contradições? Não tem como coexistir na mesma casa", emendou. 

Embora reconheçam que a luta contra fusão será difícil, os pessebistas dizem que trabalharão agora para convencer a militância a frear a junção. Alguns não descartam deixar o partido. "Hoje está muito difícil permanecer", disse Glauber. 

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