Agência Câmara
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Deputados do PMDB divulgam carta em que pedem saída de Jucá da presidência do partido

Minuta de documento escrita por Carlos Marun (MS) afirma que deveriam se afastar do comando da sigla 'aqueles sobre quem pesam acusações factíveis da Lava Jato'

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

07 Março 2017 | 12h54

BRASÍLIA - Deputados do PMDB divulgaram nesta terça-feira, 7, minuta de carta em que pedem o afastamento, do comando nacional do partido, de todos os dirigentes acusados de envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. No documento, eles defendem a escolha de uma nova direção "isenta" e cobram que os novos dirigentes comecem "imediatamente" a discussão para escolha de um candidato do PMDB à Presidência da República em 2018.

"Deveriam se afastar do comando nacional do partido e de seus órgãos nacionais auxiliares todos aqueles sobre quem pesam acusações/factíveis no âmbito da operação Lava Jato, até para que os mesmos possam se dedicar a suas defesas", afirma a carta, sem citar nominalmente os integrantes investigados da cúpula. O documento foi escrito pelo deputado Carlos Marun (PMDB-MS) e assinado, por enquanto, por outros três deputados peemedebistas: Hildo Rocha (MA), João Arruda (PR) e Lúcio Mosquini (RO). 

Ao menos três integrantes do comando do PMDB foram citados na Lava Jato. O principal deles é o senador Romero Jucá (PMDB-RR), presidente nacional do partido. Além dele, foram citados nas investigações o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), que é tesoureiro da legenda, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, que é presidente da Fundação Ulysses Guimarães, ligada à sigla. Todos negam irregularidades. 

"Quanto a permanência no governo, a mesma depende da confiança do presidente (Michel) Temer, que estabeleceu como linha de corte a aceitação de eventual denúncia (contra o integrante do governo) pelo STF (Supremo Tribunal Federal)", afirmam os deputados na minuta da carta. 

No documento, os deputados pedem que a nova direção do PMDB "imediatamente" comece "uma avaliação entre os quadros do partido daqueles que, também completamente isentos, poderiam representar o partido nas próximas eleições presidenciais". "É fundamental que avancemos neste sentido, até porque não é possível que ainda estejamos pensando em ser sócios de algum governo que aparentemente tenha mais chance do que nós de vencer as eleições", dizem.

Ao Broadcast Político, serviço de notícia em tempo real do Grupo Estado, Marun afirmou que pretende abordar a bancada do PMDB nesta terça-feira em busca de mais apoios à carta. A ideia inicial era entregar o documento a Jucá nesta quarta-feira, 8, durante reunião da Executiva Nacional do PMDB, mas o deputado disse que isso ainda não está certo. "Podemos adequar alguma coisa no texto, podemos ver o momento certo de avançarmos com isso. São todas coisas que vamos avaliar no dia de hoje", afirmou. 

Veja a minuta da carta:

"CARTA AO PMDB

Mesmo sendo defensores do devido processo legal e do princípio de presunção da inocência, entendemos que em função do impacto e da dramaticidade que as questões que envolvem a operação Lava Jato produzem na população, é impossível avançarmos politicamente sem que isto seja observado e em função disto fazemos as seguintes considerações:

1- Deveriam se afastar do comando nacional do partido e de seus órgãos nacionais auxiliares todos aqueles sobre quem pesam acusações/factíveis no âmbito da operação Lava Jato, até para que os mesmos possam se dedicar a suas defesas;

2- Quanto a permanência no governo, a mesma depende da confiança do presidente Temer, que estabeleceu como linha de corte a aceitação de eventual denúncia pelo STF; 

3- A nova direção, composta por correligionários completamente isentos em relação a esta operação, deveria imediatamente iniciar uma avaliação entre os quadros do partido daqueles que, também completamente isentos, poderiam representar o partido nas próximas eleições presidenciais; 

4- Paralelamente a isto a nova direção deveria proporcionar oportunidades para que estes convivam com as bases do partido, para que suas ações politica-administrativas sejam por nós conhecidas; 

5- Estas ações deveriam ser divulgadas por todos os meios ao nosso alcance;

6- É fundamental que avancemos neste sentido, até porque não é possível que ainda estejamos pensando em ser sócios de algum governo que aparentemente tenha mais chance do que nós de vencer as eleições;

7- Nós somos o maior partido do país, temos quadros com serviços prestados e completamente isentos da Lava Jato e, portanto, nós temos condições de vencer as eleições;

8-Não estamos propondo nenhuma condenação prévia. Exigimos que todos tenham direito ao devido processo legal. Mas a verdade é que o partido necessita de um novo comando para que estejamos à altura de enfrentarmos as próximas eleições;

9-O governo Temer está tendo a coragem de mudar o país  e faz-se necessário agora que nós tenhamos a coragem de mudar partido;

10- Unidos e sob o comando de uma direção partidária focada na questão política construiremos uma candidatura própria viável e competitiva.

Vamos em frente!

1) Carlos Marun-Dep Federal.

2) Hildo Rocha-Dep Federal.

3) João Arruda-Dep Federal.

4) Lúcio Mosquini-Dep Federal."

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