Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Deputados de oposição querem convocar Moro para explicar supostas mensagens

Para que o ministro seja convocado, os pedidos devem ser aprovados pela comissão interessada e pelo plenário da Câmara dos Deputados

Mariana Haubert, Camila Turtelli e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2019 | 16h50

Deputados de oposição planejam apresentar requerimentos para convocar o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para que ele preste explicações sobre o suposto conteúdo de mensagens trocadas por ele, quando ainda era juiz federal, e por integrantes do Ministério Público Federal, como o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, divulgado pelo site The Intercept Brasil. 

De acordo com o líder do PSOL, Ivan Valente (SP), um dos requerimentos será para convocar Moro a prestar esclarecimentos ao plenário da Câmara e outro para que ele compareça à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Para que o ministro seja convocado, no entanto, os pedidos devem ser aprovados nas duas instâncias.

Como o Estado mostrou nesta segunda, a Polícia Federal instaurou há cerca de um mês um inquérito para investigar ataques feitos por hackers aos celulares de procuradores da República que atuam nas forças-tarefa da Lava Jato em Curitiba, no Rio e em São Paulo. Há quatro dias, outro inquérito foi aberto para apurar ataques ao celular de Moro. 

O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (PT), afirmou que os fatos divulgados "demonstram de maneira inequívoca uma relação de promiscuidade que ultrapassa todos os limites éticos, legais que envolvem e definem a relação de integrantes do poder judiciário e integrantes do ministério público". Para ele, as conversas revelam que o processo de condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi articulado para impedi-lo de se candidatar novamente à Presidência da República.

Estratégias

Dirigentes e parlamentares dos cinco maiores partidos de centro-esquerda (PT, PSB, PDT, PCdoB e PSOL) vão se reunir na terça-feira, 11, em Brasília, para traçar uma estratégia comum de ação no Parlamento. A hipótese mais provável é a convocação de um Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso.

“Devemos pedir uma CPI. Estamos mantendo conversas no âmbito do Parlamento”, disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), um dos vice-presidentes do PT. Em coletiva à tarde, a deputada Jandira Feghalli (PC do B-RJ), líder da minoria na Câmara, disse que “cabe ao Parlamento” entrar na investigação.

Parlamentares da oposição ao governo Jair Bolsonaro já cobram abertamente a saída de Moro do Ministério da Justiça. Eles argumentam que a Polícia Federal, que investiga o caso, não pode continuar subordinada a um ministro envolvido na situação. 

Em outra frente, representantes destes partidos e de movimentos sindicais se reuniram na segunda em São Paulo e avaliaram que a revelação dos diálogos fortalece a mobilização para a greve geral marcada para sexta-feira, 14, contra a reforma da Previdência e a favor da geração de empregos. 

“A revelação aquece a conjuntura e fortalece a greve geral”, disse o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos (PSOL). Além da greve, os sindicatos e movimentos vão realizar mobilizações em todas as capitais na sexta-feira. A expectativa é que a repercussão dos diálogos ajude a mobilizar a militância espontânea que não tem contato com os sindicatos.

“Dificilmente alguma categoria organizada vai decidir participar da greve por causa dessa notícia mas ela pode estimular adesões individuais”, disse Juliano Medeiros, presidente do PSOL.

O dirigente do Movimento dos Sem Terra (MST) João Paulo Rodrigues disse que o grupo vai intensificar protestos em julho, durante o recesso parlamentar, contra a permanência de Moro no ministério. “Se o governo tivesse juízo, deveria demitir logo o Moro”, disse. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.