Deputados de CPI criticam afastamento de Protógenes

O afastamento do delegado Protógenes Queiroz das investigações da Operação Satiagraha, da Polícia Federal (PF), foi criticado hoje por integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos, na Câmara. Os deputados agora enxergam na convocação do delegado, marcada para o dia 6 de agosto, uma oportunidade única de entender as reais motivações que levaram o governo a afastá-lo da investigação. "É um grave prejuízo para as investigações a saída do delegado", avaliou o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), autor do requerimento que solicitou a presença de Protógenes na comissão. "Não é nada boa a saída do cabeça da investigação em um momento como esse", reagiu o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).Até mesmo integrantes do PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva consideraram, no mínimo, "estranha" a saída de Protógenes no auge da Satiagraha, deflagrada na semana passada. Relator da CPI, o deputado Nelson Pellegrino (PT-BA) disse esperar que a presença do delegado na comissão esclareça detalhes sobre seu afastamento. "A vinda dele aqui será uma boa oportunidade para sabermos a real razão de seu afastamento. Se foi por vontade sua ou não", disse.Oficialmente, o delegado afirmou que deixou o comando das investigações para realizar um curso presencial superior da PF que terá início dia 21. Segundo a PF, Queiroz chegou a entrar com mandado de segurança para integrar a turma deste ano, pois havia perdido o prazo de inscrição.Nos bastidores, no entanto, a versão que circula é que Protógenes foi forçado a deixar o caso depois de excessos cometidos em meio às prisões do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, do banqueiro Daniel Dantas e do investidor Naji Nahas. Desde que a Operação Satiagraha foi deflagrada, ao delegado são atribuídos "atos de insubordinação", como uso indevido de agentes secretos do governo em sua apuração, além de exposição desnecessária da PF.

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