Deputados da CPI querem saída de secretário de Yeda

Os deputados integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o desvio de R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) do Rio Grande do Sul começaram a pressionar a governadora Yeda Crusius para afastar o secretário-geral de governo Delson Luiz Martini, citado por alguns dos operadores do esquema em conversas gravadas pela Polícia Federal divulgadas ontem."Todos querem saber é que providências serão tomadas pela governadora em relação ao secretário Delson Martini que, como revelam os áudios, orientava procedimentos do esquema fraudulento", cobrou hoje o deputado Elvino Bohn Gass (PT). Até aliados do governo, como Alexandre Postal (PMDB), afirmam que Martini não tem mais sustentação política para ficar.Num trecho das gravações ouvidas pelos participantes da CPI ontem, dois dos 40 acusados pela fraude conversam sobre orientações que deveriam tomar de Martini em meio à pressão que sofriam do lobista tucano Lair Ferst para não ser alijado do esquema. O ex-diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Antônio Dorneu Maciel, chega a pedir que o ex-presidente do Detran-RS, Flávio Vaz Neto, tente saber da própria Yeda se deve ouvir Martini. "Se tu tiveres chance boa (pergunta a ela): governadora, está dando um pequeno impasse lá, sigo orientação do Delson?", diz, no telefonema gravado pela Polícia Federal.Depois de atribuir o diálogo a uma provável articulação de pedido de audiência com a governadora e de sustentar que não pode ser responsabilizado por uma citação de terceiros, Martini não foi visto em atividades públicas hoje, nem mesmo na cerimônia de anúncio da um investimento da Braskem que reuniu todo o secretariado no Palácio Piratini (sede do governo gaúcho). Yeda participou da solenidade, mas evitou entrevistas para não ser questionada. Seu porta-voz, Paulo Fona, disse aos jornalistas que Martini será mantido. "Um secretário só sai se desejar ou se o governo quiser, e não é o caso".

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