Deputados da AL-SP questionam lista de fichas-sujas

Eles citam perseguição de desafetos, ‘erros formais’ nas contas e atraso na atualização de dados em tribunais

Roberto Almeida, de O Estado de S.Paulo,

14 de agosto de 2009 | 20h18

Deputados estaduais paulistas voltaram a reclamar nesta sexta-feira, 14, do método adotado pela ONG Transparência Brasil, que levantou suas pendências judiciais para chamar a atenção para a atuação dos parlamentares na Assembleia Legislativa de São Paulo. Eles alegam que são perseguidos por desafetos políticos, vítimas de "erros formais" em suas contas eleitorais e reféns do atraso na atualização de dados dos tribunais, que já deveriam ter arquivado seus casos.

 

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Os dados colhidos pela Transparência Brasil no Supremo Tribunal Federal (STF), Justiça Federal, Estadual e Eleitoral, além do Tribunal de Contas do Estado (TCE), apontam que 42 dos 94 deputados têm ficha suja, como informou nesta sexta-feira o Estado. Os processos a que respondem vão de improbidade administrativa a estelionato. As informações podem ser checadas no site Excelências.

 

"As informações que utilizamos são públicas. O site Excelências dá o link direto para o site do tribunal correspondente. Basta ir lá e checar"explicou Fabiano Angélico, coordenador de projetos da ONG.

 

Mesmo assim, o deputado José Bittencourt (PSDB), alvo de uma investigação por abuso de poder econômico na Justiça Eleitoral, enviou um fax ontem à Transparência Brasil para avisar que seu processo foi arquivado. Angélico checou a informação e disse que não procede. "Temos de confiar em dados oficiais", alertou.

 

Assim como Bittencourt, Geraldo Vinholi (PDT), citado no TCE, e Alex Manente (PPS), na Justiça Eleitoral, ressaltaram que não têm "pendências" e não podem ser tratados como acusados. De acordo com Vinholi, suas citações por supostas fraudes em licitação datam de 1991 e já foram aprovadas.

 

Major Olímpio (PV) e Pedro Bigardi (PCdoB), que tiveram suas prestações de contas eleitorais rejeitadas, preferiram apontar "erro formal" em seus casos. "Foi falta de orientação e de experiência", anotou Olímpio.

 

Já Vitor Sapienza (PPS), acusado de compra de votos por meio de um curso gratuito de informática, avisou que entrou com recurso no processo, que corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele foi considerado culpado, alega, "por erro do advogado". Mas, "julgado pelo povo"", como disse em nota, foi eleito novamente em 2006.

 

'Perseguição'

 

Os casos de Adriano Diogo (PT) e Luciano Batista (PSB) são explicados por eles como "perseguição". Diogo tornou-se réu quando era secretário do Meio Ambiente de São Paulo na gestão Marta Suplicy (PT). Teria alugado uma área irregularmente, em nome da secretaria, mas se diz convicto de que a ação será revertida.

 

Batista diz ter "problema pessoal" com uma promotora da comarca de São Vicente, sua base eleitoral. Ela o acusou de evolução patrimonial desproporcional, mas garante que uma auditoria da Receita Federal em suas contas apontou o contrário. "Nada ficou provado", disse.

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